Urbs Magna

Vem aí o PDV de Temer para servidores federais

Posted in #FORATEMER, BRASIL, ECONOMIA, Fora Temer, POLÍTICA, PROTESTOS NO BRASIL, VERGONHA DE SER BRASILEIRO by dibarbosa on 24 de julho de 2017

PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA, do Governo de Michel Temer, ESTÁ NO FORNO

São esperados 5 mil funcionários interessados que terão até 1,5 salário por ano trabalhado.

Governo tem dificuldades para fechar as contas e, por isso, prepara programa de demissão voluntária (PDV) para servidores federais do Poder Executivo.

A assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento, órgão responsável pela gestão de pessoal no governo federal confirmou a notícia e uma Medida Provisória (MP) deve ser editada entre hoje e amanhã para estabelecer as normas do programa que, segundo o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, espera-se uma adesão de 5 mil funcionários e uma economia de R$ 1 bilhão por ano.

A despesa com recursos humanos chegará a R$ 284,47 bilhões em 2017, de acordo com estimativa da área econômica no relatório de avaliação de receitas e despesas do terceiro bimestre. É o segundo maior gasto do governo, depois dos benefícios previdenciários (R$ 559,77 bi em 2017).

No ano passado, o governo aprovou uma série de reajustes para servidores federais e neste ano a conta do RH mais encargos vai aumentar R$ 26,6 bi em valores nominais (sem descontar o efeito da inflação). Nos dois próximos dois anos estima-se que esse gasto vai crescer R$ 22 bi em cada um dos anos, segundo a Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira (Conorf) da Câmara dos Deputados.

O PDV é utilizado em estatais com o fim de reduzir o quadro de funcionários e suas despesas. Desde 2014, o governo federal desligou 50.364 funcionários de estatais através de PDVs e as aposentadorias incentivadas, como mostrou o Estadão/Broadcast. O número representa 77% do público-alvo dos programas autorizados pela Planejamento.

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Temer passa pela CCJ e segue impune

A CCJ da Câmara rejeitou o parecer da denúncia contra o presidente Michel Temer elaborado pelo deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que recomendava a admissibilidade do pedido da Procuradoria-Geral da República para investigar o peemedebista.

O placar de 40 a 25 garantiu a vitória com uma série de trocas de membros, realizada pelo Palácio do Planalto. No total, foram 25 movimentações desde o dia 26 de junho, sendo 14 vagas de titulares alteradas.

As mudanças provocaram críticas da oposição, que levou o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF), mas a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, rejeitou um mandado de segurança impetrado por um grupo de seis parlamentares que pretendia restaurar a composição prévia da CCJ.

Com o resultado, o presidente da CCJ teve de escolher um novo relator e decidiu pelo deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG).

O tucano lerá seu parecer em plenário ainda nesta quinta-feira, para, em seguida, os deputados votarem novamente.

Antes da votação ser realizada, o líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), argumentou que o pedido da PGR significava também o afastamento do presidente da República.

“A legislação de ocasião é nociva para o País; estamos aqui para defender o País”. disse.

A votação foi realizada após dois dias de sessão de debates e 78 discursos no plenário da CCJ, que somaram mais de 18 horas de discussão.

A maioria dos discursos foi de deputados defendendo a admissibilidade da denúncia.

“A denúncia mostra que o presidente se meteu em enrascada”, disse o petista Wadih Damous (RJ). O deputado disse que a denúncia da PGR não veio “contaminada” e que a população merece conhecer a verdade.

“O povo brasileiro exige de nós que essa denúncia seja acatada”, reforçou.

Pelo bloco governista, defenderam o presidente Michel Temer os deputados Carlos Marun (PMDB-MS) e Alceu Moreira (PMDB-RS). Em seu discurso, Moreira disse que admitir a denúncia seria “jogar um país no fosso do futuro sem saber quais são as consequências, apenas porque o presidente recebeu alguém fora da agenda”.

“É ruim com ele, é muito pior sem ele”, pregou.

PERDEU, PLAYBOY! FIM da CLT

ENTENDA O QUE ACONTECE APÓS TEU GRITO “FORA DILMA e LEVE O PT JUNTO

REFORMA TRABALHISTA – 120 VEZES PIOR DO QUE VOCÊ PENSA. SAIBA :

1 – Ela estabelece a possibilidade da fraude empresarial em detrimento do trabalhador. Supomos um grande grupo societário. O mesmo poderá abrir várias empresas (no nome dos próprios sócios) e pulverizar contratos de trabalho e passivos trabalhistas nas menores empresas, mantendo a principal “blindada” dessas questões.

Quando ela resolver demitir um ou mais funcionários, poderá alegar falta de recursos financeiros para arcar com o pagamento de verbas rescisórias. Isso será possível porque as várias empresas não serão consideradas mais parte de um grupo econômico, como ocorre hoje.

2 – A reforma trabalhista permite a empresa computar como “tempo não produtivo” todo tipo de ação do trabalhador, inclusive tempo para trocar de roupa, interação social, intervalo para utilizar o banheiro, alguma alimentação fora do horário do almoço, etc.

Com isso, a empresa poderá obrigar o trabalhador a fazer hora extra sem remunerá-lo, alegando (de forma arbitrária) que trata-se de compensação de “tempo não produtivo” do funcionário.

3 – A Justiça comum poderá ser utilizada pela empresa para recorrer de uma decisão do Tribunal Trabalhista. Caso tenha êxito, o processo terá a morosidade típica dessa modalidade da Justiça que, em alguns casos demora até 20 anos para concluir um processo.

4 – Está elimina da Justiça do Trabalho a prerrogativa da Jurisprudência, o que significa que sentenças passadas sobre casos idênticos ao ocorrido em uma reclamação trabalhista, não servirão como elementos pacificadores para o processo.

Isso tornará o julgamento de instâncias superiores mais demorados e passíveis de serem reformados, dependendo do juiz.

5 – O trabalhador perde o direito de ter qualquer adiantamento financeiro em um processo trabalhista, pois deixa de ser considerado hipossuficiente perante a lei. Isso ocorrerá em qualquer caso, mesmo quando a empresa deixa de pagar os salários do trabalhador.

6 – Limita a 2 anos a responsabilidade do sócio de uma empresa em responder por questões trabalhistas. Mais uma avenida para a fraude. Supomos uma empresa que tenha grandes dívidas e irregularidades trabalhistas. Os sócios podem sair do quadro societário e colocar algum “laranja” em seu lugar.

Esse “laranja” liquida a sociedade depois de dois anos e os verdadeiros sócios não precisam responder por mais nada. E o trabalhador não poderá acioná-los em nenhuma instância judicial.

7 – O trabalhador fica proibido de reclamar na Justiça de Trabalho por perdas de direitos (mesmo que legais) caso tenha sido notificado pelo empregador sobre essas perdas. Ao assinar a notificação, se entenderá que o empregado “concordou” em abrir mão de seus direitos.

8 – Proíbe a celebração de acordos extra-judiciais entre patrão e empregado, exclusivamente pela parte do empregado. Caso o acordo extra-judicial parta do patrão, o acordo poderá ser celebrado.

9 – O processo trabalhista pode ser decretado prescrito após dois anos, mesmo se ele esteja em andamento. Esse dispositivo serve para impedir o trabalhador de solicitar, por exemplo, perícias contábeis ou perícias médicas, que em regra são demoradas.

10 – Retira do juiz trabalhista o acesso a informações patrimoniais das empresas. Assim, não existirá mais “confisco on-line” e nem mesmo decretação de penhora de bens por informações disponíveis na Receita Federal.

11 – As multas em caso de não registro de funcionários será reajustada pelo TRD, um índice depreciativo. Em breve as multas se tornarão simbólicas o que vai estimular o trabalho informal.

12 – Está eliminado qualquer remuneração pelo tempo de deslocamento do trabalhador para a empresa, mesmo que o seu posto seja de difícil acesso ou nos casos em que o trabalhador resida em outra cidade.

13 – O regime parcial de trabalho (com menos benefícios), passa de 25 horas para 36 horas semanais.

14 – Agora a empresa pode solicitar trabalho extra no regime parcial de trabalho, apenas remunerando as horas adicionais de trabalho. Trata-se de um convite à precarização das relações de trabalho…

15 – A lei estimula as empresas a adotarem o regime parcial. Na prática as empresas vão deixar de contratar funcionários no regime integral, pois não compensará economicamente fazê-lo.

16 – As horas extras feitas pelo trabalhador em uma determinada semana podem ser compensadas por dispensa de horas de trabalho ao longo do mesmo mês. Algo que antes era inconstitucional.

17 – O cumprimento de horas extras poderá ser convencionado por acordo individual e sem a necessidade de ser registrado por escrito. A justiça entenderá que se o trabalhador fez hora extra, fez porque aceitou e ponto final.

18 – A empresa pode determinar banco de horas e remunerar o trabalhador em até 6 meses. Os acordos poderão ser celebrados de forma individual, não sendo obrigatório o seu registro por escrito.

19 – Fica estabelecida a possibilidade da jornada de trabalho de 14 horas diárias (12 horas + 2 horas extras). Ainda que esteja estabelecida a obrigatoriedade de 36 horas de descanso após essa jornada, esse “direito” pode ser suprimido por acordo ou pelo próprio regime parcial de trabalho.

20 – Caso a empresa exceda seu direito de exigência de horas extras diárias ou semanais, fica proibido ao trabalhador de reclamar desse excesso em uma futura ação trabalhista.

21 – As horas extras (que são remuneradas em 50% a mais do que o valor da hora de trabalho regular) poderão se tornar – ao livre arbítrio do empregador – em banco de horas. Assim, o trabalhador fará na prática hora extra, mas poderá receber esse extra como hora normal.

22 – As jornadas de 12 horas por 36 horas poderão ser feitas também em ambientes insalubres.

23 – A empresa pode exigir do trabalhador uma jornada excepcional de trabalho em casos onde, por exemplo, a empresa alegue que supostamente necessite terminar um serviço de forma urgente e poderá pagar multa em caso de não entregá-lo. Tudo isso independente de acordo ou notificação ao Ministério do Trabalho.

24 – A empresa está desobrigada a remunerar o trabalhador por serviços feitos em sua residência, o chamado “teletrabalho”, devendo o mesmo entregar relatórios, e-mails, fazer planilhas, responder mensagens, etc., como parte integrante de suas responsabilidades profissionais já estabelecidas à priori.

25 – A empresa poderá “comprar” os intervalos de descanso do trabalhador.

26 – A empresa poderá caracterizar como “teletrabalho” o trabalho feito pelo trabalhador nas dependências da própria empresa. Como o conceito de “teletrabalho” inclui serviços com computadores, o trabalhador poderá ficar preso na empresa pelo tempo que for necessário para cumprir um determinado trabalho e a empresa estará desobrigada a remunerá-lo por esse tempo extra.

27 – A empresa poderá incluir a possibilidade do “teletrabalho” no contrato inicial do trabalhador. No caso dos contratos antigos poderá inclui-lo de forma unilateral.

28 – A empresa poderá exigir que o trabalhador tenha o seu próprio equipamento de trabalho, em especial no setor tecnológico (computadores, celulares, etc).

29 – O empregador estará isento de qualquer responsabilidade de acidente de trabalho ou adoecimento do trabalhador, desde que o “oriente” de forma escrita ou oral sobre os riscos do seu trabalho.

30 – As férias poderão ser divididas em três partes. “Férias” de cinco dias corridos agora serão legais.

31 – O trabalhador está proibido de acessar qualquer instância da justiça em caso de perdas patrimoniais ou extra-patrimoniais causadas pela empresa.

32 – O patrão agora poderá processar o empregado por danos morais.

33 – O empregado poderá ser monitorado pela empresa. Opiniões políticas ou contrárias aos interesses da empresa poderá ser objeto de demissão por justa causa.

34 – A empresa poderá ter acesso à correspondência e e-mails de seus funcionários quando os mesmos estiverem nas suas dependências.

35 – O empregado poderá responder junto com a empresa por eventuais processos de danos morais movidos por um cliente contra a empresa.

36 – Cria-se um regramento limitador para o empregado entrar com ação por danos morais contra uma empresa.

37 – No caso de indenização estabelece uma tabela: dano leve (indenização de 3 salários); dano médio (5 salários); dano grave (20 salários); dano gravíssimo (50 salários). Além de inconstitucional – por considerar o trabalhador um cidadão de segunda categoria, sujeito a tabelas de indenização – estabelece um fato horrendo: custa mais barato humilhar aquele que ganha menos…

38 – A mesma tabela de indenização é aplicada para o trabalhador. Lembremos que agora o trabalhador pode ser processado pela empresa por danos morais. O que ocorrerá é um festival de judicialização do trabalho. O trabalhador entra com uma ação por falta de pagamentos de direitos, e a empresa – em retaliação – entra com outro processo por danos morais…

39 – No caso de danos morais cometidos pela empresa, a reincidência só aumentará o valor da pena se o caso ocorrer com um mesmo funcionário.

40 – Mulheres gestantes estarão mais expostas a ambientes insalubres de trabalho colocando em risco a sua saúde e a de seu bebê.

41 – Acaba os dois intervalos para a mãe amamentar seu filho até os seis meses. O que valerá é o livre acordo…

42 – A empresa pode determinar livremente quem é trabalhador da empresa e quem é autônomo. Pode inclusive alterar o status de um funcionário da maneira que bem lhe prouver.

43 – Cria a modalidade do “trabalho intermitente” e não contratual. É a institucionalização do “bico” sem qualquer direito que assista o trabalhador em caso de abuso da empresa.

44 – O trabalhador que ganha mais de 11 mil reais não terá amparo em reclamações trabalhistas básicas como excesso de jornada, hora extra, etc.

45 – No caso de venda da empresa, o novo dono responderá somente pelas reclamações trabalhistas da sua gestão. O que ocorreu antes, fica a cargo dos antigos donos. Mais uma avenida para a fraude empresarial.

46 – Estabelece do-responsabilidade em questões trabalhistas entre atuais e antigos donos da empresa apenas quando se comprova que trata-se de uma sucessão fraudulenta. Isso, na prática, coloca uma muralha ao trabalhador para reclamar por seus direitos, pois antes de qualquer julgamento trabalhista, um outro deverá ser analisado: o da suposta “fraude”… um processo que pode demorar décadas para ser julgado.

47 – O trabalho intermitente terá que ter o valor de hora piso equivalente ao valor de hora do salário mínimo. Surpresa! É o fim do salário mínimo. Pois um trabalhador intermitente pode ter uma jornada inferior a de um trabalhador que já recebe um salário mínimo… Logo, milhões receberão menos que um salário mínimo.

48 – Um mesmo trabalhador pode ter diversos contratantes, mesmo que façam parte de um mesmo grupo econômico. Isto é, pode acumular condições precarizadas.

49 – O trabalhador poderá ser convocado a fazer hora extra ou um trabalho excepcional (com 3 dias de antecedência). Caso não execute ou falte à convocação terá que pagar multa para a empresa no valor de 50% da sua hora de trabalho requisitada.

50 – Elimina o prazo de prestação de um serviço para o trabalho intermitente. Com isso, esse trabalhador poderá, na prátic,a nunca gozar de férias ou outros benefícios.

51 – A empresa pode emitir recibo de pagamento para o trabalhador intermitente de tal forma que a mesma omita o real valor do seu trabalho, considerando esse valor apenas em sua futura recisão.

52 – Caberá ao trabalhador fiscalizar o recolhimento de seu INSS e FGTS por parte da empresa. O poder público se retira dessa função. Com isso abre-se o processo de falência da seguridade social e da privatização da Previdência.

53 – As férias do trabalhador podem ser suprimidas pelo grupo empresarial, mesmo depois de 12 meses de trabalho continuado.

54 – A empresa pode obrigar o empregado a usar vestimenta com logomarcas de uma outra empresa. Com isso essa empresa estará livre para negociar valores publicitários usando os seus trabalhadores como veículos desse negócio. Obviamente que os trabalhadores nada ganham por serem obrigados a venderem seu corpo para fins publicitários.

55 – O uniforme tem que ser lavado, bem cuidado e estar sempre em bom estado de uso. E a responsabilidade por isso é exclusivamente do trabalhador.

56 – Para além do salário fixo, outras remunerações e bonificações não serão tributadas. Aqui está a grande prova de que o governo quer quebrar de vez com a Previdência e a seguridade social.

57 – A empresa está livre de qualquer obrigação social, cultural, médica ou assistencial para com os seus trabalhadores, independente do tipo de trabalho realizado.

58 – O princípio da igualdade salarial pelo mesmo trabalho realizado só será válida em uma determinada unidade da empresa. Uma empresa com mais de uma unidade pode praticar salários diferentes pelo mesmo trabalho realizado. É o fim da isonomia salarial.

59 – Mesmo em uma mesma unidade da empresa, o salário por um mesmo trabalho realizado poderá ser diferente. Os salários serão apenas equiparados depois que o funcionário estiver nessa unidade por mais de 4 anos.

60 – Fica livre à empresa estabelecer planos de carreiras com as mais distintas diferenças salariais, sem a necessidade de homologação ou aviso às autoridades competentes.

61 – A empresa pode promover um funcionário única-exclusivamente pelo critério do bom desempenho, eliminando-se a obrigatoriedade da promoção por tempo de serviço. Além de aumentar a submissão do trabalhador, a empresa pode julgar que, simplesmente ninguém foi merecedor de promoção pois ninguém obteve um “bom desempenho”.

62 – As regras para promoção podem ser alteradas a qualquer tempo. Com isso, um trabalhador que atinge um determinado nível de promoção e fica muito caro para a empresa, pode ser dispensado e outro pode ser promovido na mesma função com salário inferior e dentro de um “novo sistema de promoção”.

63 – Caso se julgue que houve discriminação na promoção de um funcionário, estabelece-se multa irrisória (50% dos benefícios não concedidos) mas a Reforma impede o juiz de atuar de forma corretiva junto à empresa, como denunciando o caso ao Ministério do Trabalho ou aplicando um TAC (Termo de Ajuste de Conduta).

64 – O trabalhador perde a seguridade de benefícios e gratificações que ficam de acordo com as condições econômicas da empresa.

65 – A rescisão do trabalho não precisa mais ser feita no sindicato.

66 – Revoga-se qualquer multa ou punição no caso de não pagamento de verbas rescisórias pela empresa ao trabalhador.

67 – As empresas podem realizar demissões em massa sem a necessidade de dialogar com o sindicato da categoria.

68 – Extingue-se todas as garantias anteriores estabelecidas em convenções que podem ser substituídas por novas regras ditadas pela empresa no caso de demissões em massa.

69 – Torna-se mais ampla as possibilidades de demissão por justa causa. Além disso, a empresa agora terá poderes de cassar a habilitação de um profissional que atuou (no seu critério) de forma não profissional.

70 – Cria-se uma nova modalidade de demissão: a “demissão por acordo”, na qual o trabalhador ganha apenas metade de seus direitos e não pode sacar seu FGTS e não terá direito de seguro desemprego.

71 – Para quem ganha mais de 11 mil reais de salário, o contrato pode estabelecer uma “câmara de arbitragem” para debater sua rescisão. Nesse caso as despesas são divididas.

72 – O empregado deverá assinar uma “carta anual de cumprimento de obrigações trabalhistas” para a empresa. Dessa forma, não poderá reclamar de nenhuma irregularidade futura.

73 – Em empresas com mais de 200 funcionários, poderão se formar comissões de trabalhadores para debater as propostas da empresa, sem a presença do sindicato.

74 – Essas comissões de trabalhadores (de 3 a 10 funcionários) não precisam debater as propostas da empresa em assembleia com os demais funcionários e nem submetê-las a votação. Possuem o poder de assinarem qualquer tipo de acordo coletivo.

75 – As comissões de trabalhadores podem exercer todas as funções do sindicato, desde que a empresa aceite isso.

76 – As comissões de trabalhadores só possuem assegurado o poder de debater questões sobre demissões arbitrárias. Greves, aumento salarial, etc, só se a empresa deixar…

77 – Fica estabelecido o fim do imposto sindical.

78 – Cria-se mecanismos burocráticos para os trabalhadores que quiserem contribuir voluntariamente com o sindicato.

79 – Não estabelece controle sobre o repasse das contribuições sindicais. Isso significa que não há punição no caso de uma empresa atrasar esse repasse ao sindicato ou simplesmente não repassa-lo.

80 – Estabelece prazo limitado para o trabalhador optar pelo pagamento da contribuição sindical.

81 – Estabelece calendários distintos para o pagamento da contribuição sindical para diferentes categorias, aumentando a possibilidade da não realização do pagamento da contribuição mesmo para aqueles trabalhadores que querem apoiar seu sindicato.

82 – Retira a possibilidade de pagamento automático da contribuição voluntária. O empregado todo ano deverá optar por escrito que deseja contribuir.

83 – Estabelece o mês de janeiro como o mês da contribuição para a maioria dos trabalhadores, retirando-lhes o direito de optar pelo mês da contribuição voluntária (com certeza a adesão poderia ser muito maior se fosse possível optar por realizá-la no mês do recebimento do 13º salário, por exemplo…)

84 – O acordo entre trabalhadores e a empresa tem maior valor do que a lei.

85 – Coloca o banco de horas como procedimento anual a ser validado pelo acordo entre trabalhadores e empresa. Com isso o limite constitucional de 44 horas fica suprimido. No fim, o acordado não respeita nem mesmo os direitos constitucionais.

86 – A empresa poderá reduzir para 30 minutos o horário para almoço.

87 – O trabalhador poderá abrir mão do “Programa de Seguro-Emprego”, aumentando a sua insegurança trabalhista.

88 – Estabelece a possibilidade da empresa criar cargos de “confiança” sem qualquer critério, aumentando problemas de disparidades salariais para trabalhos idênticos.

89 – Dá liberdade para a empresa se organizar da forma que bem entender sem comunicar aos órgãos fiscais competentes.

90 – A empresa pode delimitar e alterar quando quiser as funções dos representantes dos trabalhadores na empresa.

91 – A empresa é que definirá as regras de todos os sobre-trabalhos feitos fora da empresa, desde que acordado com os representantes dos trabalhadores.

92 – A empresa determinará regras de gorjetas, prêmios e bonificações em acordos. As leis que antes regravam esses temas deixam de existir.

93 – A empresa pode alterar quando bem quiser e sem aviso prévio a jornada de trabalho do trabalhador e o seu regime de trabalho.

94 – A empresa pode trocar os feriados, independente da vontade de uma parte dos trabalhadores.

95 – A empresa é quem determinará o grau de insalubridade de um determinado ambiente de trabalho.

96 – A empresa é quem determinará a tamanho da jornada no ambiente insalubre.

97 – A empresa poderá estabelecer prêmios e bonificações de forma contínua. Na prática ela vai substituir o grosso do salário dos trabalhadores por essas formas “alternativas” de remuneração. Mais um ataque à Previdência e à seguridade social.

98 – A empresa poderá incorporar no salário a “participação de lucros”, o que hoje é uma bonificação.

99 – Nos acordos entre empresa e trabalhadores a Justiça do Trabalho só poderá ser acionada para debater questões do Direito Civil.

100 – A Reforma estabelece que poderá haver perdas de direitos sem qualquer contrapartida equivalente.

101 – Fica estabelecida a legalização da redução salarial e ainda fica determinado os direitos trabalhistas só serão assegurados para aqueles que aceitarem os termos dessa redução.

102 – Elimina-se todas as cláusulas compensatórias que existiam antes dessa lei, em especial aquelas que estavam estabelecidas em convenções sindicais.

103 – Os sindicatos estão obrigados a se envolverem em cada queixa trabalhista individual, quando os acordos forem firmados entre empresa e sindicato. Trata-se de uma flagrante forma de desmoralizar os sindicatos. Pois, em nenhum lugar do mundo um sindicato possui condições para isso.

104 – A jornada de trabalho excessiva deixa de ser matéria de discussão do campo da saúde e do bem-estar físico e psicológico do trabalhador.

105 – Fica vedada a ultratividade, isto é, o aumento de direitos dos trabalhadores em convenções com as empresas. O Estado não interfere nas perdas dos trabalhadores, mas nos ganhos… não só interfere como proíbe.

106 – As multas sobre atrasos de obrigações passarão agora pelo índice da TR e não mais do IPCA. O TR é um índice sempre inferior ao da inflação…

107 – A Justiça do Trabalho será obrigada a homologar qualquer acordo extra-judicial, desde que parta do patrão,e não importando seus termos e seu conteúdo.

108 – A Justiça do Trabalho poderá alongar os prazos para o julgamento das causas pelo tempo que for necessário, acabando por vez com a celeridade dos processos trabalhistas.

109 – A gratuidade da Justiça do Trabalho só existirá para aqueles que ganham até R$1659,39. O trabalhador que receber mais do que isso terá que pagar pelas custas do processo. Caso não tenha recursos para isso, terá que provar que não pode pagar.

110 – O trabalhador é quem terá que pagar as custas de qualquer tipo de perícia, mesmo que estiver sob o regime de gratuidade da justiça.

111 – Quando a perícia for solicitada pela empresa, a Justiça poderá parcelar o pagamento.

112 – Caso o trabalhador perca a causa, deverá arcar com as despesas do processo e pagar os honorários advocatícios para a empresa.

113 – O trabalhador poderá além de responder pelo crime de litigância de má-fé, arcar com indenização a título de perdas e danos, para a empresa.

114 – A Reforma estabelece multa para o suposto falso testemunho de uma testemunha arrolada pelo trabalhador no valor de 10% da causa. Agora, com esse risco, quem se arriscará a depôr?

115 – A empresa pode solicitar ampliação de prazos e até mesmo mudança de fórum para julgar uma causa. Com isso o processo torna-se ainda mais moroso.

116 – O ônus da prova se torna obrigatório para o trabalhador. Antes ele era isento. No caso de uma acusação, deverá reunir provas e a empresa pode se valer da presunção da inocência.

117 – O trabalhador obrigatoriamente terá que determinar o valor pleiteado na ação inicial para que a mesma tenha validade. Isso restringe o direito pericial e a análise do tribunal de questões que não são contábeis (como danos morais, por exemplo).

118 – Elimina-se a obrigatoriedade do Preposto ser um funcionário ou sócio da empresa reclamada no momento do julgamento. Agora a empresa poderá contratar um “Preposto profissional” que, por ser um expert, terá enorme vantagem argumentativa frente ao trabalhador.

119 – Após uma eventual condenação a empresa ainda terá uma enormidade de prazos para recorrer sem ter que fazer qualquer “adiantamento de tutela”. A liquidação da dívida ainda concede mais prazos e estabelece as formas mais arcaicas e morosas para que o trabalhador enfim receba seus direitos.

120 – Em caso de penhora, a empresa pode indicar os bens a serem penhorados… Uma boa forma de se desfazer de patrimônio em desuso (móveis, cadeiras, luminárias velhas, máquinas usadas, etc.)

BRASIL: um país de merda

Dirigido por uma elite de merda idêntica aos deputados que tiraram Dilma, ao Aécio e sua mala de dinheiro e aos ministros equidistantes do STF 

O Brasil acabou de vez com a decisão do STF de reconduzir o criminoso Aécio Neves ao Senado. Assim como a de soltar o criminoso Não Sei o Quê Loures. Assim como a de não abrir imediatamente um processo contra o criminoso Michel Temer no momento em que apareceram as gravações dele negociando crimes com o pilantra Joesley, outro criminoso vagabundo, milionário vagabundo, exemplo mais bem acabado da elite econômica e industrial brasileira, composta por vagabundos — para encontrá-los, todos, é só ir à Fiesp e ficar olhando quem entra no prédio pela garagem.

Dilma Rousseff foi expulsa da presidência por alocar verbas federais para programas sociais, tirando dinheiro do próprio governo daqui e colocando ali para entregar a quem mais precisava. Uma manobra fiscal, cujo único beneficiário era aquele coitado que recebe Bolsa Família. A isso se deu o nome de “pedalada”. E foi o bastante para derrubá-la.

Movida pelo ódio aos pobres, a classe média brasileira atendeu de imediato ao chamado da mídia — Veja, Folha, Estadão, Globo, O Globo e seus satélites, incluindo as patéticas emissoras de rádio — e se vestiu de amarelo para ir às ruas louvar um pato inflável.

A isso chamou-se de movimento popular. “O povo resolveu tirar o PT do poder”. Não foi o povo. Foi a classe média turbinada pelos desejos e ordens daqueles que, no fim das contas, são seus porta-vozes e grandes prejudicados por governos que distribuem renda — sempre tiveram, e sempre quererão ter a maior fatia do bolo, se possível o bolo inteiro.

A classe média brasileira, composta pela pior espécie de gente que se possa imaginar, bateu panelas a cada pronunciamento de Dilma. Mandou-a tomar no cu aos gritos num estádio, vociferou palavras de ódio e misoginia. Pôde, sob o olhar deliciado de gente como ela — os donos da mídia –, finalmente expressar sem pudor seu ódio de classes que faz escorrer baba pela boca.

Fora PT!, gritavam. Luladrão!, Dilmanta!, corruPTos!, berravam, urravam, relinchavam, e depois tiravam selfies ao lado de soldados do pelotão de choque da PM. E pediam a volta dos militares. E seus semelhantes, como Lobão, Danilo Gentili, Otávio Mesquita, Roger, Regina Duarte, alguns atores, muitos colunistas e radialistas, jornalistas globais, subiam em carros de som para repetir o mantra: Fora PT. Apareceram movimentos como Revoltados On Line e MBL e coisas do tipo. Deu-se voz a esses animais de sela relinchantes.

E o Brasil mostrou sua cara verdadeira. Um país de merda dirigido por uma elite de merda que, no fundo, é idêntica aos deputados que tiraram Dilma da presidência, é idêntica ao Aécio e sua mala de dinheiro, é idêntica aos ministros do STF que negam habeas corpus a uma mulher que furtou um ovo de Páscoa para dar ao seu filho, mas fazem elogios rasgados ao senador flagrado em gravação pedindo propina, indicando o primo para pegar uma mala de dinheiro, um filho da puta sem tamanho que, no fim das contas, fica livre porque é julgado por filhos da puta iguais a ele.

E você, que cada vez que o Lula aparecia na TV, ou a Dilma, ou um petista qualquer, batia panela na varanda gourmet do seu apartamento, ou buzinava na rua, é um filho da puta igual, porque você é um igual. Não se iluda: você que bateu panela é igual, idêntico ao Aécio, você colocaria 500 paus numa mala e entraria correndo num táxi, você ligaria para um juiz para armar alguma putaria se pudesse, você mandaria matar seu primo otário se ele fosse pego, você armaria uma conversa no porão da sua casa para tramar alguma roubalheira, você já deve ter feito coisa parecida, portanto não se revolte, não fique indignado, você pensa igual, age igual, é um bosta igual.

Hoje o copo d’água transbordou. Não se sabe mais o que é preciso fazer para ser preso no Brasil. Ou para perder a vergonha e renunciar a um cargo público quando se é flagrado cometendo crimes hediondos como desviar dinheiro que poderia estar melhorando a vida de miseráveis num país miserável. Essa elite brasileira que chutou o PT do governo não tem vergonha de ser o que é. Você, paneleiro, não tem vergonha de ser esse merda que é. Você gosta de ser assim, admira quem é assim, se orgulha de ser assim.

Se você não é preto, nem pobre, nem petista, fique tranquilo. Não será processado por nada, não será preso, sempre haverá alguém para bater panela por você. São tantos os absurdos, as decisões amorais, abjetas, obscenas, que partem do Judiciário e salvam gente do Legislativo, que é quase impossível listá-los.

São esses criminosos que legislam, e que estão arrebentando com os direitos dos trabalhadores e estuprando os mais frágeis na questão da Previdência. Esses filhos da puta nem cogitam mexer nas suas aposentadorias, nos “direitos adquiridos” de magistrados e militares, querem que se foda todo mundo.

Claro que tem gente que aplaude. O projeto era tirar o PT, seguir ganhando dinheiro fácil com especulação, voltar à posição de superioridade sobre pobres diabos que trabalham de sol a sol e são escravizados por empresários milionários, sonegadores, vagabundos.

O Brasil é imoral demais, e aqueles que ainda têm algum resto de vontade de lutar por algo melhor estão cansados. O povo povo, aquele que mais sofre, que está sendo atirado de volta ao lugar onde sempre esteve, à miséria, ao descaso, ao desalento, não tem forças para brigar e já nem compreende mais o que está acontecendo.

Isso aqui virou o pior lugar do mundo para se viver.

(Flávio Gomes)

O BRASIL como REFÉM

Posted in #FORATEMER, BRASIL, POLÍTICA, PROTESTOS NO BRASIL, PT, VERGONHA DE SER BRASILEIRO by dibarbosa on 3 de julho de 2017

Os mesmos parlamentares que votaram pelo afastamento de Dilma na Câmara, irão votar agora se autorizam ou não a abertura de processo contra Temer

Gleisi Hoffmann, Presidenta do PT

Há pouco mais de um ano, a presidenta Dilma foi afastada temporariamente do cargo e logo depois, definitivamente, pelo impeachment. Os motivos, todos sabemos muito bem, eram completamente sem fundamento. O Tribunal de Contas da União inventou a história das “pedaladas”, que associadas às denúncias de corrupção contra o PT criaram o caldo para afastar a presidenta.

A verdade é que se formou uma coalizão entre os derrotados nas eleições de 2014 e parte dos então aliados do governo. Aécio Neves e Michel Temer à frente. Na retaguarda, quase todos os setores empresariais de peso. Tudo isso com o suporte da grande mídia, que queria tirar o PT do poder sem aguardar a próxima eleição para tentar novamente.

A situação que vivemos hoje, de instabilidade política, jurídica e institucional, além da grave crise econômica, é resultado do método golpista utilizado para tirar Dilma e o PT do poder.

Michel Temer, que surfou a onda do golpe, hoje enfrenta denúncia por corrupção. É o primeiro presidente a ser denunciado no exercício do cargo. O homem que há um ano era apresentado na mídia como o pacificador que colocaria o Brasil nos trilhos mostra-se extremamente agressivo para manter-se no cargo.

Os mesmos parlamentares que votaram festivamente pelo afastamento de Dilma na Câmara dos Deputados, irão votar agora se autorizam ou não, a abertura de processo contra Temer. Será uma prova de coerência.

Acredito que Temer tem de sair do governo. Se tivesse um mínimo de dignidade renunciaria e convocaria eleições, antecipando o pleito de 2018, como sugeriu o presidente Lula. Acho pouco provável que o faça.

Aliás, vivemos uma instabilidade judicial muito grande. A constitucionalidade e legalidade da decisão que reintegrou Aécio Neves ao Senado, foram negadas a outros processados pela Lava Jato. Principalmente aqueles ligados ao Partido dos Trabalhadores.

Temer, entretanto, parece mais interessado em atacar, como fez com o Procurador-Geral da República, do que em se defender. E usar expedientes escusos para manter-se a qualquer custo no poder, mesmo com míseros 7% de aprovação e mais de 80% defendendo sua saída.

Temos ouvido falar em manter o Imposto Sindical em troca de votos de setores ligados a determinadas centrais sindicais, demissões e nomeações na máquina pública para garantir apoios e ameaças veladas de retaliação contra os que vacilarem no apoio.

Enquanto isso, as finanças do governo afundam. Depois de ter o maior déficit em 20 anos, no mês de maio, anunciaram (ou desanunciaram) que não haverá reajuste para o Bolsa-Família, embora até pouco tempo atrás garantissem que o orçamento para isso já estava assegurado. A Polícia Federal parou a emissão de passaportes por falta de orçamento. Aí o governo manda um projeto tirando recursos da Educação para resolver o problema dos passaportes. Mas não deixa de aumentar verbas para a publicidade e propaganda.

Mesmo resistindo agora, ele enfrentará pelo menos mais duas denúncias. Acho pouco provável que resista a todas! É apenas o começo. Ele acabará afastado. O problema é o mal que pode causar antes disso e, depois, o governo que se instalará no Planalto, novamente sem voto, sem legitimidade, comprometido até a medula com os interesses neoliberais.

Essa gente, que tem compromisso apenas consigo mesma, está usando a estratégia de tomar o Brasil como refém para tentar escapar e resolver seus problemas! Não podemos deixar isso acontecer!

*Artigo publicado no Blog do Esmael e no site oficial do PT

Gleisi Hoffmann é senadora e presidenta nacional do PT

Aécio retorna ao Senado impune

Posted in BRASIL, POLÍTICA by dibarbosa on 30 de junho de 2017

O Ministro do STF Marco Aurélio Mello permitiu retorno de Aécio Neves (PSDB-MG) ao Senado. 

Marco AurélioO ministro também negou pedido da PGR para prender Aécio sob os seguintes argumentos:

1. ”Respeito à Constituição’ Especificamente aos princípios de imunidade dos parlamentares e separação de poderes. Marco Aurélio Mello mencionou o artigo 53 da Carta Magna, segundo o qual “deputados e senadores são invioláveis civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”.
O ministro cita exemplos. De acordo com a Constituição, mesmo no caso de condenação, cabe à mesa do Senado ou da Câmara declarar a perda do mandato. Portanto, segundo o argumento de Marco Aurélio, seria um desrespeito à lei que o afastamento da Aécio fosse determinado apenas pelo Judiciário – sem haver processo contra ele.
O tucano foi denunciado por corrupção e obstrução de Justiça, mas ainda não se tornou réu.
“O afastamento precoce (…) não é compatível com os parâmetros constitucionais que a todos, indistintamente, submetem, inclusive aos integrantes do Supremo (…)”, escreveu o ministro.

2. Argumentos frágeis da PGR O ministro também questionou os argumentos da Procuradoria Geral da República que levaram o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, a determinar o afastamento do senador.
Aécio foi afastado há pouco mais de um mês por decisão de Fachin, que considerou o risco de o senador interferir nas investigações.
Segundo a Procuradoria Geral da República, Aécio articulava com um grupo de senadores para aprovar projetos de lei que anistiavam o caixa dois eleitoral e endureciam a punição a juízes e procuradores por abuso de autoridade. A PGR também mencionava as conversas do senador com críticas ao ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio, apontando suposta influência que Aécio teria na nomeação do atual titular da pasta.
“Críticas à atuação do ministro da Justiça são normais, esperadas e, até mesmo, decorrentes do exercício legítimo da função do Legislativo, não revelando perigo concreto de influência nas atividades do presidente da República ou de embaralhamento de investigações em curso”, escreveu Marco Aurélio.
O ministro acrescentou que a “mobilização” do senador para aprovar medidas na Casa é “atividade ínsita à função parlamentar, protegida pela imunidade constitucional alcançar palavras, votos e opiniões”.

3. Elogios e críticas Professores de Direito consultados consideraram a decisão de Marco Aurélio segue determinações constitucionais.
“Faz bastante sentido o que ele argumentou. O ministro quis dizer que, para o parlamentar sofrer uma punição desse tamanho, o Legislativo deve participar. Não é que (Aécio) não possa sofrer uma ação penal, mas a lei é clara: mesmo depois que se admita o processo contra ele e que o STF o condene, depende do Senado se Aécio vai perder o mandato ou não”, diz o advogado e professor de Direito Constitucional da USP Daniel Falcão.
Ele afirma que as palavras de Marco Aurélio são críticas à postura de Fachin, que mencionou a proteção das investigações para afastá-lo.
O professor de Direito da PUC Cláudio Langroiva segue na mesma linha. Para ele, o ministro do Supremo defendeu a independência dos poderes e ressaltou que as acusações contra Aécio ainda precisam ser provadas.
“Não se pode simplesmente ignorar a previsão constitucional, violar a lei achando que se estará fazendo justiça”, explica.
Langroiva ressalta que a Constituição não diz que o indivíduo não deve ser punido, mas estabelece um processo pelo qual essa punição deve ocorrer.
Apesar de aprovada pelos constitucionalistas ouvidos pela reportagem, a decisão foi muito criticada nas redes sociais e por políticos da oposição.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), por exemplo, publicou um vídeo em sua página no Facebook dizendo que a volta de Aécio à Casa fragiliza as investigações da Lava Jato.
“Respeito qualquer decisão judicial, entretanto não parece ter surgido qualquer fato novo que justifique o retorno do exercício do mandato do senador Aécio Neves ao Senado Federal.”

PF conclui corrupção de TEMER

Posted in #FORATEMER, BRASIL, Fora Temer, POLÍTICA, PROTESTOS NO BRASIL, VERGONHA DE SER BRASILEIRO by dibarbosa on 19 de junho de 2017

URGENTE: Polícia Federal avalia que temer cometeu crime de corrupção

 

TEMER: The Brazilian Godfather

Posted in #FORATEMER, BRASIL, POLÍTICA by dibarbosa on 17 de junho de 2017

M. Temer é o Poderoso Chefão, diz: Joesley

Joesley Batista afirmou que Michel Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil

Essa é a maior e mais perigosa organização criminosa deste país, liderada pelo presidente

A revista Época publicou uma entrevista com Joesley Batista da JBS onde ele afirma que Michel Temer é um homem perigoso.

LEIA O RESUMO:

Conheci Michel Temer através do ministro Wagner Rossi, em 2010 e foi logo me pedindo dinheiro. Passamos a nos falar muito via celular e começamos a nos encontrar em todos os lugares. Ficamos íntimos, mas era apenas uma relação institucional que favorecia a ambos. Fiz muitos esquemas com ele que renderiam propina.” 

“Michel Temer sempre me chamava para conversar e pedir dinheiro para ajudar pessoas ligadas a ele – os mensalinhos. Uma vez ele me chamou e me apresentou o Yunes me pedindo para ajudá-lo.
Temer era cara de pau. Ele até tentou fazer com que eu pagasse o aluguel do escritório dele na praça Pan-Americana, em São Paulo, mas o desconversei e ele se mancou. Uma vez, Michel Temer chegou dizendo: “Eu preciso viajar, você tem um avião, me empresta aí”.

“O peemedebista também brigava por causa de dinheiro. Quando descobria que alguém tinha ganho ele queria também. O Eduardo Cunha se referia a ele como seu superior hierárquico. Primeiro, se Lúcio Funaro não conseguia resolver algo, pedia para Cunha que por sua vez pedia para o Michel. Meu acerto era com Lúcio, o de Lúcio era com Eduardo e o do Eduardo era com o Michel. Mas depois comecei a tratar uns negócios direto com o Eduardo, em 2015 quando ele assumiu a presidência da Câmara.”

Eu morria de medo de eles encamparem o Ministério da Agricultura porque o achaque ia ser grande. Eles tentaram, mas graças a Deus mudou o governo e eles saíram. Quando Eduardo tomou a Câmara foi achaque pra todo lado em nome da Câmara e do próprio Michel com o estilo de entrar na vida de quem quer que fosse sem ser convidado. Essa era a lógica dessa Orcrim. Lúcio Funaro e Eduardo Cunha mentiam falando que surgiam CPI’s que iam me convocar e pediam dinheiro, de 1 a 5mi, para barrarem, mas eu  descobria que era algum deputado a mando deles. Eu tinha que tomar cuidado. Essa é a maior e mais perigosa organização criminosa deste país, liderada pelo presidente.”

“Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida. Daquele sujeito que nunca tive coragem de romper, mas também morria de medo de me abraçar com ele.”

“Virei refém. Combinei quando já estava claro que eles seriam presos, no ano passado. O Eduardo me pediu R$ 5 milhões. Disse que eu devia a ele. Não devia, mas como ia brigar com ele? Dez dias depois ele foi preso. Eu tinha perguntado para ele: “Se você for preso, quem é a pessoa que posso considerar seu mensageiro?”. Ele disse: “O Altair procura vocês. Qualquer outra pessoa não atenda”.  Passou um mês, veio o Altair. Meu Deus, como vou dar esse dinheiro para o cara que está preso? Aí o Altair disse que a família do Eduardo precisava e que ele estaria solto logo, logo. E que o dinheiro duraria até março deste ano. Fui pagando, em dinheiro vivo, ao longo de 2016. E eu sabia que, quando ele não saísse da cadeia, ia mandar recados.”

“Com o Funaro foi parecido. Perguntei para ele quem seria o mensageiro se ele fosse preso. Ele disse que seria um irmão dele, o Dante. Depois virou a irmã. Fomos pagando mesada. O Eduardo sempre dizia: “Joesley, estamos juntos, estamos juntos. Não te delato nunca. Eu confio em você. Sei que nunca vai me deixar na mão, vai cuidar da minha família”. Lúcio era a mesma coisa: “Confio em você, eu posso ir preso porque eu sei que você não vai deixar minha família mal. Não te delato”.

“Eles cumpriram o acerto sempre me mandando recados: “Você está cumprindo tudo direitinho. Não vão te delatar. Podem delatar todo mundo menos você”. Mas não era sustentável. Não tinha fim. E toda hora o mensageiro do presidente me procurando para garantir que eu estava mantendo esse sistema. Geddel era o mensageiro. De 15 em 15 dias era uma agonia terrível. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo e Lúcio calmos era eu.

Governo brasileiro comparado a Nazismo em texto de professora

Posted in BRASIL, Fora Temer, OPINIÃO, PENSAMENTO, PROTESTOS NO BRASIL, VERGONHA DE SER BRASILEIRO by dibarbosa on 13 de junho de 2017

Reformas  de Temer subjugam nosso povo assim como os alemães humilharam os judeus na segunda guerra

UrbsMagna     

   As intenções das reformas do governo de Michel Temer,  incidentes sobre as classes básicas da população brasileira, são comparáveis  a algumas práticas nazistas da época da segunda grande guerra, de acordo com a professora Alessandra Vieira que apresenta a ideia no belo texto abaixo:

Os nazistas mantinham os judeus em fome constante. Assim, os judeus se ocupavam apenas de uma única tarefa durante o dia todo: procurar alimento, sobreviver, matar a fome imediata e urgente. Não tinham tempo e nem energia para organizar conspirações, rebeliões e planos de fuga. A vida se resumia a uma luta individualista, egoísta e solitária pela mera subsistência.

De modo análogo, a maioria dos brasileiros se ocupa apenas da sobrevivência e da dura conquista do básico: moradia, comida, escola e saúde. E mesmo os poucos que conseguem manter esse básico (especialmente a classe média) não têm tempo para se preocupar com mais nada: acordam muito cedo, trabalham mais de 8 horas, retornam exaustos, assistem o Jornal Nacional e vão dormir para reiniciar a labuta no dia seguinte. A vida se resume a uma luta individualista, egoísta e solitária pela manutenção do básico. E as TVs, os jornais e revistas reforçam e martelam diariamente essa ideologia do individualismo e do trabalho maquinal: pense apenas em você; invista apenas em você; é cada um por si; não reclame, trabalhe; não seja vagabundo, trabalhe até o fim da vida; sempre foi e sempre será assim; com esforço você conseguirá vencer; a meritocracia fará você vencer; os sindicatos não servem pra nada; a política não presta; o coletivismo é um sonho; o socialismo morreu; os empresários vão melhorar sua vida; o capitalismo selvagem e sem grilhões é o futuro. E tudo isso é mostrado ao público através de um lustro acadêmico e profissional. A propaganda é tão intensa e tão bem feita que poucos conseguem perceber a grande farsa que existe por trás dessa forma de pensar.

Diante desse cenário, a grande maioria dos brasileiros pouco se importa se o país está passando por um golpe de estado, se os direitos humanos já foram pro vinagre, se não existe mais democracia, se a constituição foi rasgada, se existe prisão política, se haverá uma ditadura militar, se os pobres da cracolância estão sendo tratados como lixo. Para quem a sobrevivência é a única preocupação, essas questões parecem supérfluas, um luxo desnecessário que só se justifica em países ricos. Tudo isso se apresenta como uma névoa de acontecimentos, um falatório confuso, um ruído de fundo na vida cinzenta e maquinal dos trabalhadores.

Querer que essa multidão de autômatos se levante para lutar pela democracia é ser totalmente irrealista, romântico e ingênuo. A grande massa de trabalhadores sem sindicatos, desorganizados e desinformados, apenas perceberão que algo mudou no país quando forem terceirizados, quando não mais tiverem direito a férias e décimo terceiro, quando a carga de trabalho aumentar e o salário diminuir, quando descobrirem que não irão mais se aposentar. A grande massa de trabalhadores não aprende pela informação (pois a única informação que possui vem de seus algozes), aprende pela prática do dia-a-dia. Quando a grande massa de trabalhadores descobrir que tudo mudou, já será tarde demais para mudar.

LULA ou JOAQUIM BARBOSA em 2018?

Posted in BRASIL, ELEIÇÕES 2018, Lula, POLÍTICA by dibarbosa on 8 de junho de 2017

Em qual dos dois candidatos você votaria nas próximas eleições presidenciais?

Vote na enquete no pé da página

O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa disse que possivelmene irá se candidatar à presidência da República em 2018, apesar de hesitar muito. Barbosa também defende as eleições diretas em caso de vacância. As declarações foram feitas há um dia.

“Eu sou um cidadão brasileiro, um cidadão pleno, há três anos livre das amarras de cargos públicos, mas sou um observador atento da vida brasileira. Portanto, a decisão de me candidatar ou não está na minha esfera de deliberação. Só que eu sou muito hesitante em relação a isso. Não sei se decidirei positivamente neste sentido. Caso ocorra a vacância da Presidência da República, a decisão correta é essa: convocar o povo”

O ex-ministro teve conversas com Marina Silva e com a direção do PSB. Para ele, a falta de liderança política e de pessoas realmente vinculadas ao interesse público têm feito com que o país vá se desintegrando.

“Se quiserem que eu saia, têm que me matar”, afirma Temer. Insano?

— Fique tranquilo, não vou renunciar, não vou sair. Vou recorrer até o fim. Se quiserem que eu saia, têm que me matar.

90,6% QUEREM DIRETAS JÁ E 84% REPROVAM TEMER.

Após afirmar nesta semana que “ninguém vai nos impedir de continuar nossas políticas públicas”, o presidente mais impopular da história brasileira disparou, em reunião com o presidente do senado Eunício Oliveira, a seguinte frase: ” — Fique tranquilo, não vou renunciar, não vou sair. Vou recorrer até o fim. Se quiserem que eu saia, têm que me matar.

DESESPERADO? ENLOUQUECIDO? DITADOR?

Uma afirmação deste naipe é incomum em nossa República Federativa, especialmente proferida por seu presidente. Sua desaprovação também é internacional. No mês passado a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, durante  anúncio de sua candidatura para as eleições legislativas de outubro daquele país, chamou o presidente brasileiro, Michel Temer, de “ridículo” e “brega”. E no início do ano, o Papa Francisco recusou um convite para visitar o Brasil fazendo duras críticas às medidas do golpista contra os pobres.

Temer não compreende que seu tempo acabou pois que os movimentos das ruas falam mais alto que a mídia, o judiciário e a elite bresileira que sempre o apoiou.

Thinktankers: caso de Dallagnol (o bruxo da Lava Jato) é outra “estratégia de promoção do golpe”.

Posted in BRASIL, operação lava jato, POLÍTICA, Sérgio Moro e Lula, VERGONHA DE SER BRASILEIRO by dibarbosa on 4 de junho de 2017

Somos responsáveis pelo futuro da AL. Entenda:

Todos sabemos que Deltan Dallagnol, em sua insistente convicção sem provas, tem sido notado por seu desejo inconsequente de se promover no meio elitista de nossa sociedade. No sábado último, todo o povo brasileiro acordou sem ar com o noticiário virtual destacando uma notícia assombrosa e descabida: “MPF pede prisão de Lula e multa de 87mi“.

Mais tarde, descobriu-se que o veículo precursor desta notícia – O Globo – mentira sobre o suposto pedido de prisão que não passou, na verdade, de apenas mais um desejo incomensurável dos procuradores do Ministério Público Federal, em especial o Deltan Dallagnol, de ver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atrás das grades para satisfazer seu público imoral e seguidores da campanha de ódio nacional promovida por esta baderna política inconsequente iniciada por Aécio Neves em 2014.

Mas nossos thinktankers – termo que faz referência àqueles que idealizam os pensamentos e os impulsionam para a opinião pública – estão trabalhando muito em seus apontamentos de novos casos em suas pautas para estudos ocorridos em território tupiniquim. Eles já farejaram, identificaram e rotularam tais práticas dallagnolenses como “estratégias elitistas de promoção do Golpe2016“. E agora, nossos pensadores manipulam um dos recipientes com a nomenclatura “Os golpes de novo tipo na América Latina e Caribe e o Caso Lula” que foi o tema principal de uma conferência internacional realizada em 02 de junho, no 6º Congresso Nacional promovido pela Fundação Perseu Abramo (FPA) e o Partido dos Trabalhadores.

Segundo os organizadores, a crise do capitalismo em 2008 impactou a América Latina produzindo golpes de Estado no Paraguai, Honduras e Brasil com processos que promovem a perseguição dos movimentos sociais e da sociedade civil e que são apoiados pela mídia, pelo Judiciário e pelas elites. Aqui, segundo os thinktankers, estes três atuam conjuntamente objetivando retirar o presidente Lula da política através da abertura de vários processos e procedimentos sem nenhuma prova apenas com o fim de tomar seu tempo com depoimentos que não vão dar em nada.

Na reunião, foram expostos exemplos midiáticos como o do Jornal Nacional que produziu 18 horas de propaganda negativa contra Lula que, por meio de inúmeras acusações falsas, cria a presunção de culpa em um escancarado plano massivo para demonizá-lo e retirá-lo das disputas políticas. Tudo sendo acatado frivolamente pelo Judiciário que abusa de sua autoridade para influenciar as opiniões. Além do golpe no Brasil, e conjuntamente, o mundo também expôs sua crise democrática com a vitória do Brexit e a eleição de Donald Trump, fatos que vieram acompanhados da emergência do neoliberalismo em uma disputa hegemônica tal que se mobiliza na tentativa de definir o futuro do país e do continente nos próximos meses.

Ainda segundo os organizadores, o Brasil enfrenta uma armadilha com o Judiciário escalando os times que participarão do processo, mas ressaltam que os movimentos populares precisam de força para reconquistar seus espaços, o que pode frear os avanços dos neoliberais em outros países, pois onde vai o Brasil, vai a América Latina.

Fonte: FPA

BOMBA! Você pode anular o impeachment que colocou o Brasil neste inferno

Isso mesmo. O golpe de Estado que arrancou Dilma Rousseff do Planalto, mulher honesta eleita com 54,5 milhões de votos do Planalto sem quaisquer crimes ou acusações, foi dado por um grupo seleto de bandidos de colarinho branco que sempre nos roubou, especialmente nas últimas décadas de crescimento comprovado, por puro prazer; por escárnio contra as classes mais pobres dos homens de bem.

Felizmente, a grande maioria dos brasileiros que apoiaram este golpe está, finalmente, abrindo os olhos e se arrependendo de ter ido às ruas em favor desta velharada ineleita, que se fez de santa com a ajuda da mídia, e que afunda o Brasil em desesperanças, tira sua credibilidade internacional e nos recheia com transtornos emocionais advindos de PECs, MPs, Privatizações e toda ordem de retrocessos incabíveis para uma nação imensa como a nossa.

Avançávamos rumo a tornarmo-nos uma superpotência, porque tudo dava muito certo. Era como se o dedo que faltava em Lula tivesse sido arrancado por Deus para sinalizar que o toque de Midas podia ser dado somente com o coração e a coragem. E justamente por tudo ter dado tão certo é que tudo começou a dar errado. Observem o histórico da balança comercial brasileira desde o ano de 1993 até hoje e tirem suas conclusões:

Balança Comercial Export Import Saldo Taxa de Cobertura
2016 169,307 126,025 43,282 134,34
2015 191,134 171,453  19,681 114,79
2014 225,101 229,060 -3,959 98,27
2013 242,178 239,617  2,561 101,07
2012 242,468 223,142 19,438 108,71
2011 256,041 226,251 29,790 113,17
2010 201,916 181,638 20,278 111,16
2009 152,252 127,637 24,615 119,29
2008 197,953 173,148 24,805 114,33
2007 160,649 120,620 40,039 133,19
2006 137,807 91,350 46,457 150,86
2005 118,309 73,545 44,764 160,87
2004 96,475 62,779 33,696 153,67
2003 73,084 48,283 24,801 151,37
2002 60,141 47,048 13,093 127,83
2001 58,223 55,581 2,642 104,75
2000 55,086 55,783 -0,697 98,75
1999 48,011 49,272 -1,261 97,44
1998 51,120 57,594 -6,474 88,76
1997 52,990 61,347 -8,357 86,38
1996 47,747 53,301 -5,554 89,58
1995 46,506 49,664 -3,158 93,64
1994 43,545 33,105 10,440 131,54
1993 38,597 25,659 12,938 150,42

Após a destituição da presidente, seus advogados impetraram um Mandato de Segurança no STF – o Guardião da Constituição de 1988 – exigindo a anulação do impeachment que é ilegal e inconstitucional justamente porque ela foi eleita pelo voto popular e governou sem a ocorrência de crime de responsabilidade – a acusação de pedalada fiscal é uma ficção/romance jurídico.

Só que o STF sob o comando de Gilmar Mendes também fez parte do golpe e o Mandato foi engavetado com o fim de evitar seu julgamento no decorrer de um processo de tomada de poder que transcorreu na marra e, assim, não sujando as mãos dos juízes nem a Constituição Federal.

Devemos, pois, pressionar os 11 juízes do tribunal a se posicionarem contra o golpe e pela anulação do impeachment de Dilma Rousseff através da organização de comitês exigindo a anulação do impeachment e mobilizações nas ruas contra o STF de modo a sensibilizá-los com os direitos da classe trabalhadora.

Dilma – discurso na CUT sobre o golpe do impeachment

Posted in BRASIL, IMPEACHMENT, POLÍTICA by dibarbosa on 13 de outubro de 2015

cut dilmaO presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, negou mais cinco pedidos de impeachment que lhe foram entregues. Desde o começo do ano, já foram vinte e um pedidos e ainda faltam três para serem analisados. A pedido da oposição, Cunha estaria aguardando a inclusão de aditamento em um pedido de Hélio Bicudo com um novo elemento para sustentar o impeachment. Mas hoje, Cunha afirmou que se os aceitasse a oposição o derrubaria em uma semana. Enquanto isso, Dilma Rousseff, em tom de comemoração, discursou na CUT e os principais trechos foram publicados em sua conta da rede social Twitter. Confira:

Vivemos uma crise política séria, que se expressa na tentativa dos opositores ao nosso governo de fazer o terceiro turno.
Essa tentativa começou após as eleições. Agora, ela se expressa na busca incessante da oposição de encurtar seu caminho ao poder.
Querem chegar ao poder dando um golpe, com impedimento de um governo eleito pelo voto direto de 54 milhões de pessoas.
O q era inconformismo por terem perdido a eleição transformou-se em desejo de retrocesso e ruptura institucional, em golpismo.
O golpe que os inconformados querem cometer é, mais uma vez, e como sempre, contra o povo. Mas podem ter ctz: não vão conseguir.
Quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficientes para atacar a minha honra?
Lutarei para defender o mandato que me foi concedido pelo voto popular, pela democracia e por nosso projeto de desenvolvimento.
Sou presidenta pq fui eleita pelo povo, em eleições lícitas. Tenho a legitimidade das urnas, q me protege e a qual tenho o dever de proteger.
Sou presidenta p/ dar continuidade ao processo de emancipação do nosso povo da pobreza e da exclusão (…)
(…) e p/ fazer do Brasil uma nação de oportunidades para todas e todos.
A hora é de unir forças. A hora é de arregaçar as mangas e combater o pessimismo e a intriga política.
Quem quiser dialogar, construir a paz política, construir o futuro, terá meu governo como parceiro.
Acerta a CUT quando diz, no lema do , direito não se reduz, se amplia. Permito-me acrescentar q democracia não se reduz, se amplia.

 

A Política brasileira refletida na música de Cazuza e Renato Russo

Posted in ARTE, BRASIL, FILOSOFIA, MÚSICA, OPINIÃO, PENSAMENTO, poesia by dibarbosa on 7 de setembro de 2015

Que País é Esse? Brasil.
montagemcazuzarenato

Até hoje vigora a discussão sobre aquele que teria sido o mais proeminente e representativo poeta da década perdida, os anos oitenta.
A questão ainda é tema de debate em blogs, comunidades virtuais, e vira e mexe a gente se depara com um reply desses no twitter: Cazuza ou Renato Russo?
Fácil, fácil a resposta: nenhum deles somente, ou seja, os dois juntos.
Os dois representam a completude de um período conturbado de reconstrução democrática do Brasil: dúbio como teria que ser, antagônico a si próprio e contraditório pra todo sempre.
Enquanto um questionava: Que país é esse? O outro dava a resposta: Brasil.
Um se achava bonito, era sedutor, de autoestima invejável, expansivo e de poesia direta: “Raspas e restos me interessam”.
O outro se achava feio, era introspectivo, complexado, preferia curtir os dias de chuva e assim se definia numa de suas canções mais líricas: “Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto”.
Cazuza diz ter ficado louco quando Renato Russo surgiu no cenário da música brasileira: “O que é isso?! Que loucura! Esse cara está dizendo algo que eu quero dizer. Quero falar da minha geração”. Diz ter feito “Brasil” com certa “inveja cultural” de “Que país é esse?”.
Na tentativa de conciliar os talentos, um dia Renato Russo e Cazuza se propuseram uma parceria.
Não deu certo.
Cazuza havia mandado a Renato uma letra chamada “A orelha de Eurídice”.
Renato foi categórico: “O que é isso Cazuza? Uma letra que fala sobre orelha? Jamais vou fazer uma música sobre isso”.
Cazuza, na gíria carioca, teria respondido “Qualé Renato? Eu adoro uma orelha, vamos tentar!”
A parceira inconciliável terminou por aí. Mas a admiração mútua nunca teria acabado.
Perto do fim do calvário público do colega de geração, Renato Russo compôs “Feedback Song for a Dying Friend” (Canção retorno para um amigo à morte) uma canção de despedida em inglês. Além disso, fez uma bela inserção de “Faz Parte do Meu Show” em uma apresentação da Legião no Estádio das Laranjeiras, um dia após falecer o compositor de “O Tempo não Para”.
Pra tentar resumir o placar do jogo, costumo dizer que Cazuza deixou canções livres, sem se ater a um estilo musical predileto. Não era apenas um cantor de rock. Cultivava uma linha mais direta na poesia, era meio bossa nova, meio rock´n roll, mas nem por isso se tornara tão ou mais cativo quanto o rival de Brasília.
Renato Russo, paradoxalmente sendo “mais difícil”, vendeu mais, e conseguiu criar literalmente uma religião em torno de sua banda, idéia que abominava. Renato não deixou apenas canções, mas uma espécie de código quase bíblico a ser decifrado na leitura ininterrupta dos discos da Legião, do primeiro, Legião Urbana (1985) ao último “A Tempestade ou Livro dos Dias” (1996).
Há quem diga que até a seqüência do disco póstumo da banda, “Uma Outra Estação” (1997), Renato deixara alinhavada para os remanescentes da Legião apenas cuidarem de detalhes de produção.
Ambos, Cazuza e Renato Russo, morreram de complicações decorrentes da AIDS. Um aos 32, outro aos 36. Como se seguindo a sina do sonho de democracia que tanto questionaram: morreram cedo demais.
Nos seus últimos dias, um optou por mostrar a cara, assim mesmo como dizia a letra de sua música. O outro, não negou sua natureza, mergulhou no seu próprio mundo e preferiu deixar o recado nas entrelinhas do seu último disco em vida: “Hoje a tristeza não é passageira, hoje fiquei com febre a tarde inteira”. Nesse ponto nenhum deles foi incoerente, todos foram verdadeiros.
A vida de Cazuza já virou filme, de grande sucesso, com algumas passagens obscuras, com referências vetadas pelos pais do poeta, a exemplo do relacionamento de Cazuza com Ney Matogrosso, que ao gravar “Pro Dia Nascer Feliz” teria sido fundamental para o estouro do então desconhecido Barão Vermelho.
Já a trajetória de Renato Russo promete invadir as telas do cinema em 2010, com o longa “Somos tão Jovens”, que pretende retratar o percurso do “Trovador Solitário” pela jovem Brasília da década de 70 até o estrelato daquela que ainda hoje é considerada a maior banda de rock da história do país, a Legião Urbana.
Quase duas décadas depois de encerrado o ciclo da geração coca-cola, hoje se percebe mais claramente que não há de fato “o porta-voz” de uma geração, isso porque aquela geração nunca teve uma voz bem definida.
Era tudo o que poetas como Renato Russo e Cazuza, burgueses sem religião assumidos, em contraponto ao adorno exagerado da Tropicália, tinham a dizer sobre si mesmos, mais como o reflexo de uma coletividade sem alma, que propriamente com a pretensão de retratar um país tido como tropical. E talvez por isso mesmo acabaram dizendo mais.
Nas palavras de Renato Russo “Monstros de nossa própria criação”. Nas palavras de Cazuza “Uma geração sem ideologia”.

Samuel Carvalho Marinho é contador e servidor público federal.
Colabora com crítica musical no blogue do ed wilson
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Quem pede INTERVENÇÃO MILITAR não sabe o que é DEMOCRACIA tampouco o que foi DITADURA

Posted in BRASIL, DIREITOS HUMANOS, ELEIÇÕES 2014, HISTÓRIA, POLÍTICA, PROTESTOS NO BRASIL by dibarbosa on 24 de agosto de 2015

Assista ao vídeo no fim da matéria.

ditadura-torturaEm meio à grave crise econômica do Brasil, acarretada especificamente por uma crise político-moral sem precedentes, alguns de nossos compatriotas se desesperam e partem para as ruas pedindo soluções imediatas contra o Governo de Dilma Rousseff e seu partido, o PT.  As últimas eleições presidenciais de 2014, bem como as operações da Polícia Federal que objetivam levar os atos de corrupção de importantes figuras políticas (eleitas por nós mesmos) à tona de um lamaçal sem fim, dividiram as opiniões de Norte a Sul. Nas várias facetas que as manifestações revelaram, encontramos pedidos de socorro exageradamente infundados e inexplicáveis como, por exemplo, o desejo de uma intervenção militar.

Certamente, há muita falta de conhecimento histórico-político brasileiro. Pronto, resumidamente é isso! Pois quem deseja isso, o deseja embasado em números manipulados que, na ocasião, favoreceu uma cúpula restrita e impenetrável. Quem deseja isso, nunca soube o “que aconteceu, como, onde, por que e a mando de quem“, como bem resumiu um colunista de um jornal de renome nacional. Durante 21 anos, o regime ditatorial instaurado em 1964 pelo Estado violou sistematica, generalizada e gravemente os direitos humanos de milhares de brasileiros opositores ao militarismo, o que culminou com sua repressão e eliminação.  Sim, muitos desapareceram e jamais foram encontrados. Pesquisem. As flores que vocês colheram nasceram das terras férteis aradas por muita gente que se foi lutando para que estas se deixassem colher um dia. Nem tudo sempre foi tão belo como vocês encontraram.

Em dezembro de 2014 a Comissão Nacional da Verdade (CNV) publicou um relatório  definitivo com suas conclusões sobre aquela política de Estado assassina concebida e implementada a partir de decisões emanadas da presidência da República e dos ministérios militares. Volto a repetir: pesquisem, está tudo lá para ser pesquisado. E compartilhem, porque isso deve se tornar público para que a dimensão dos excessos praticados pelas Forças Armadas do passado recente seja compreendida pelos jovens de hoje como uma quebra institucional e violação gravíssima de DH, além de fortalecer nossa democracia a qual foi conquistada com o sangue de nossos irmãos ceifados por este negro episódio e exigir mudanças que possam reverter legados autoritários que ainda permeiam algumas instituições Brasil afora. Pesquisem, está tudo lá.

Brazil Update: reinicialização para instalação de atualizações políticas importantes

Posted in BRASIL, OPINIÃO, POLÍTICA, PROTESTOS NO BRASIL, VERGONHA DE SER BRASILEIRO by dibarbosa on 17 de março de 2015

updateApós as manifestações de 15 de março, uma reflexão mais aprofundada do que está acontecendo no país.

         Está muito claro para muita gente, mas infelizmente o Brasil está repleto de “midiotas”, ou seja, pessoas que sofrem de inépcia e compõem a platéia manipulada pela grande mídia nacional. Tais corações imaturos batem no ritmo dos acontecimentos e desconhecem que suas próprias culturas também os envolvem em corrupção até a alma. Obviamente, uma boa parcela da população que dá a cara para bater em manifestações populares tem engajamento suficiente para, ao invés de naufragar na grande loucura das massas que temos visto nos últimos meses, organizarem-se e empenharem-se diligentemente em projetos de mudanças que urgem há tempos.

          Não estou defendendo um lado nem outro nem ninguém. Penso que quaisquer equipes governamentais que atuarem em nossa nação estarão fadadas a receber nossa omissão de presente, o que sempre os encorajará ao pecado capital, enquanto nos faltar embasamento político. Me digam: quem está organizando um movimento mais direcionado à soluções, resultados positivos? Aqueles que entendem do assunto são carentes do sentimento humanitário que os afundam na inércia de seus comodismos. Quem está nas ruas protestando quer é se dar bem sem ninguém para atrapalhar. Não querem a comunhão e o igualitarismo salarial; distribuição de renda. Querem crescer economicamente mas individualmente. Infelizmente todos os absurdos registrados pela imprensa e comentados no mundo inteiro são fatos que se perpetuarão enquanto nossos passos não forem dados na seguinte ordem: Reforma na Educação, Reforma  Política e, finalmente, Reforma Constitucional.

          Não há um lado certo e um errado. Ninguém está totalmente certo ou totalmente errado.  Impeachment não resolverá nada como o do passado também não resolveu. Outros problemas surgirão com outros políticos substitutos pois o problema não são apenas eles. Enquanto nosso foco não mudar; enquanto as pessoas certas estiverem dispersas pelo país quando poderiam se unir e atuar na política nacional, nenhuma mobilização de insatisfação será suficiente. O problema está na raiz. Não foi à toa que “The Guardian”, “Forbes”, “The New York Times”, destacadamente dentre outros, publicaram suas opiniões conforme lemos depois das manifestações. O Brasil necessita de um bom programa anti malware; anti vírus. Tem que ser resetado. Formatado. Reiniciado e operado por mãos talentosas. Precisa de bons programas de atualização de desempenho.

          As marchas nas ruas apenas demonstram indignação e insatisfação. Só barulho. Nenhuma idéia. Uma palhaçada total. Volta da ditadura, blah! Querem também a volta da inflação a oitenta por cento ao mês? A volta da mortalidade infantil? A redução do IDH? A redução do PIB nacional? E etc, etc. A quem isso beneficiará? Qual classe social predominará com uma intervenção militar?  Milhares foram às ruas em 15 de março, mas certamente muitos milhões de brasileiros sequer têm uma opinião formada sobre tudo isso. Por quê? Porque nunca o Brasil esteve tão transparente. Todos se revoltam com a burguesia corrupta. Eu disse burguesia corrupta. Isso, sim, no fundo a classe menos favorecida acha, de fato, um tremendo absurdo.

O Petrolão é só a Cereja

Posted in BRASIL, ECONOMIA, OPINIÃO, PENSAMENTO by dibarbosa on 8 de março de 2015

brasil eu te amoA CRISE TÁ NA CARA DE TODO MUNDO. NÃO ADIANTA TER MEDO, ELA TAMBÉM TE PEGOU. ENQUANTO ISSO A NINGUENZADA, LEIGA EM ECONOMIA, AINDA FAZ PLANOS PARA O FUTURO.

bolsa

       Eu sou contra a malandragem; o jeitinho bananense. E se para acabar com a palhaçada milhões tenham que se danar, então se danem na rodinha com areia. Que tomem bem no centro, só com a passagem de ida pra demorarem a voltar, pois voltarão a pé. Vou repetir quantas vezes for autorizado que esse país está indo para a vala pois os fundamentos econômicos já eram. O sonho acabou e ainda tem gente sonhando. Voltaremos a uma divisão de classes simplificada, entre quem pode e quem não pode, e espero estar na classe dos quem podem. Quero o meu bote do Titanic. Essa pátria viverá como se fosse um campo de concentração, só que as celas não serão separadas por grades mas sim pela falta de dinheiro. Isso é visível: um prédio com gente da alta líquida com grana no bolso contrastando com outro prédio do lado com apês de 50m2 só com ninguenzada cheia de carnezinhos, tudo financiado. E não adianta me chamarem de elitista ou branco dos olhos azuis. Qualquer trouxa já percebeu isso. E quem ainda tiver um resto de cérebro que funcione vai querer dar o fora desse país ou, se não, pertencer ao resto de classe média-rica que sobrou.

          Os austríacos odeiam a matematização da economia. E estão certos. Planejar a economia com índices, médias e estatísticas é ignorância. E é por isso que eles gostam de focar nas relações causa x efeito das inúmeras intervenções do setor público na economia. O que não significa que deve-se jogar fora estes indicadores. São parâmetros, mas com base neles não é possível fazer grandes trabalhos, principalmente se o grupo no governo for como este, que não entende o funcionamento da ciência econômica. Em toda a Banânia há vários lojistas passando seus pontos, mas se pediram um valor X é porque viram que alguém podia pagar. O que não falta em Bananalandia é gente que não tem noção do valor das coisas. Mas agora o dinheiro das pessoas está acabando. Taí um bom exemplo de cauxa x efeito que poderia ter sido antecipado. Já naquela época em que Tupã proibiu que o maracujá de uma árvore sagrada fosse consumido, mas mesmo assim o metamorfoseado de cobra com urutu do FHC ofereceu-o a uma virgem tupinambá e daí iniciou-se a novela nacional à partir do Pecado Original Tupiniquim.

          E assim, até hoje, a elite branca de olhos azuis não paga por nada neste Brazil-zil-zil. Fora a palhaçada! Com todo o respeito aos nobres artistas circenses, não só a fantasia já acabou, como acabará na mais devastadora das crises da história do país. Só lamento, mas a culpa será só dos crédulos nas utopias falidas providentes de um, em suma, colossal conto do vigário. Há anos senti o cheiro da merda no ar. Eu sempre olhava para a perspectiva errada, mas mudei esta posição: não tenho dívidas nem financiamentos e durmo tranquilo. Mas fico pensando na pobre e ignorante população. Tem gente que vai passar necessidade. Pqp! Não adianta ter medo, a crise vem como num estouro de manada. Mesmo assim, começo a ficar com medo. Mesmo tendo alguns peixes, enlatados, gerador e uns pés de frutas e madiocas, estou digitando ajoelhado no chão, chorando, com a bíblia no colo e pedindo desculpas a todos os deuses da Terra.

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Brasil: 38 mi de votos perdidos

Posted in BRASIL, ELEIÇÕES 2014, POLÍTICA by dibarbosa on 6 de outubro de 2014

inglês

dilma aécioO primeiro turno das eleições 2014 deixou um saldo muito negativo em se tratando de brasileiros que desperdiçaram a chance de participar na escolha do futuro governante do Brasil, bem como dos senadores, governadores e deputados de cada Estado.

Em um cenário com previsão de envolvimento da totalidade dos eleitores registrados neste ano em 142.821.358 de títulos, foram apurados apenas 104.023.802 de votos válidos com uma perda assustadora de 38.797.556 de participação, dos quais 27.698.475 foram de abstenções, 4.420.489 de votos em branco e 6.678.592 de votos nulos. Foram quase 39 milhões,o que corresponde a quase 20% que não positivaram seus votos nas urnas no dia 05 de outubro de 2014. Ou seja, de cada 5 eleitores 1 não teve participação. Isso assusta? Assusta! E isso quer dizer, por exemplo, que se tivéssemos um Governo Federal mais empenhado em estabelecer uma relação mais positiva com seu povo, bem como com as lideranças de todas as 27 Unidades Federativas do Brasil, ou seja, se a aprovação da ‘presidenta’ estivesse nas alturas, boa parte deste número desperdiçado poderia garantir uma reeleição já na primeira fase de votações. E mesmo se quaisquer dos presidenciáveis em suas respectivas campanhas carregasse um histórico político composto por mais conquistas, ou mesmo com uma campanha mais agressiva, eles poderiam obter uma grande soma de votos em seu favor. Mas o que está acontecendo? Nossos governantes ainda não perceberam o tamanho do descontentamento político de um elevado percentual de seu eleitorado? Será que a culpa é nossa por não sabermos escolher as pessoas certas para nos representar? Isso é muito grave mesmo! Trinta e oito milhões são quase 90% dos que votaram em Dilma. Foram 38.797.556 de cidadãos insatisfeitos e que cruzaram os braços na maior oportunidade de suas vidas, no que se refere à escolha do futuro de casa um deles. Em breve seremos a quinta maior economia do planeta, ultrapassando até mesmo a Grã-Bretanha, e ainda temos uma imaturidade política que beira a demência.

África nos genes Brasil

Posted in BRASIL, GEOGRAFIA, HISTÓRIA by dibarbosa on 22 de julho de 2014

Análise de DNA revela regiões que mais alimentaram o tráfico de escravos para o país

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Por RICARDO ZORZETTO                                     GENÉTICA

Durante pouco mais de três séculos de tráfico negreiro o trecho da África Ocidental que vai do Senegal à Nigéria possivelmente forneceu muito mais escravos ao Brasil do que se imaginava. A proporção de homens e mulheres capturados nessa região e enviados à força para cá pode ter superado  e muito  os 10% do total estimado anos atrás pelos historiadores norte-americanos Herbert Klein e David Eltis, estudiosos do tráfico de escravos no Atlântico. Os argumentos que agora servem de suporte à revisão dos cálculos, em especial para o Sudeste do Brasil, não são apenas históricos, mas genéticos. Analisando a constituição genética de pessoas que vivem em três capitais brasileiras, os geneticistas Sérgio Danilo Pena e Maria Cátira Bortolini estão ajudando a resgatar parte dessa história ainda não de todo esclarecida sobre a origem dos quase 5 milhões de escravos africanos que chegaram aos portos de Rio de Janeiro, Salvador e Recife e contribuíram para a formação do povo brasileiro. Em dois estudos recém-concluídos a equipe de Pena, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e a de Maria Cátira, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), compararam o padrão de alterações genéticas compartilhado por africanos e brasileiros. Desse modo, conseguiram estimar a participação de diferentes regiões africanas no envio de escravos para o Brasil, o último país da América Latina a eliminar a escravidão com a assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888. Os resultados confirmaram que foram três as regiões da África – a Oeste, a Centro-Oeste e a Sudeste – que mais exportaram mão-de-obra africana para o país até 1850, quando o ministro da Justiça do Império Eusébio de Queirós formulou uma lei tornando crime o tráfico de escravos. Até aí, nada muito novo, e a genética apenas corrobora as informações his tóricas a respeito de uma das situações mais cruéis a que um ser humano pode submeter outro. Já se sabia que o Brasil foi um dos poucos, se não o único, países das Américas a receber africanos de todas as origens. A novidade é o envolvimento maior no tráfico negreiro da África Ocidental, também conhecida como Costa Oeste, região de onde vieram povos como os iorubás, os jejes e os malês, que exerceram forte influência social cultural no Nordeste brasileiro, em especial na Bahia.

Durante os três séculos em que os portugueses controlaram o tráfico no Atlântico – o mais antigo, de mais longa duração e maior em termos numéricos –, a proporção de escravos embarcados no Oeste, no Centro-Oeste e no Sudeste da África oscilou bastante. Avaliando registros de viagem africanos, Herbert Klein, da Universidade de Colúmbia, e David Eltis, da Universidade Emory, calcularam que, no total, 10% dos escravos teriam vindo da região Oeste da África e 17% da Sudeste. O principal fornecedor de escravos seria mesmo o Centro-Oeste, onde ficava a colônia portuguesa de Angola, que teria contribuído com 73% dos africanos enviados para o Brasil amontoados no porão de pequenos navios.“Os dados sobre o tráfico de escravos ainda são incompletos e os historiadores aceitam que a maior parte veio da região de Angola”, comenta Marina Mello Souza, da Universidade de São Paulo (USP), especialista em história africana. Cientes de que os registros de viagem nem sempre refletem com precisão o passado, nos últimos tempos os historiadores passaram a recorrer também à genética na tentativa de compreender melhor o que de fato ocorreu. “Nossas estimativas anteriores se basearam em amostras parciais”, disse Klein à Pesquisa FAPESP. “Estamos revendo essas projeções, com base no trabalho de geneticistas e na revisão dos dados de viagem que a equipe de David Eltis vem investigando na Universidade Emory.” E, nesse ponto, os trabalhos de Pena e Maria Cátira podem colaborar para esse reexame histórico. A análise do material genético compartilhado por brasileiros e africanos revelou que a proporção de escravos oriundos do Oeste da África – entre Senegal e Nigéria – pode ter sido de duas a quatro vezes maior que o contabilizado até o momento, bem mais próximo dos números exportados por Angola.

Origens e destinos – Superior à esperada, a contribuição do Oeste africano provavelmente não se distribuiu igualmente pelo país. Pena e sua aluna de doutorado Vanessa Gonçalves analisaram amostras de sangue de 120 paulistas que classificavam a si próprios e aos seus pais e avós como sendo pretos, seguindo a nomenclatura adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que agrupa os brasileiros em brancos, pretos e pardos – os movimentos de afrodescendentes em geral usam a palavra negro para se referir a pretos e pardos. Quatro de cada dez pretos paulistas apresentavam material genético típico do Oeste africano. Essa proporção, no entanto, foi menor no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, segundo artigo da equipe da UFRGS a ser publicado no American Journal of Physical Anthropology. Dos 94 pretos cariocas testados por Maria Cátira e Tábita Hünemeier, 31% traziam no sangue a assinatura genética do Oeste africano, apresentada por apenas 18% dos 107 pretos gaúchos. Além de indicar origens e destinos, esses dados talvez expliquem a penetração heterogênea no país do candomblé, religião com importantes traços culturais iorubás e jejes. Na busca pelas origens do povo brasileiro, não são apenas os historiadores que recorrem aos achados genéticos. Também os geneticistas precisam, por vezes, voltar aos livros de história, sociologia ou antropologia para compreender o que as características genéticas lhes mostram. Ao menos um fato histórico ajuda a entender por que a proporção de pretos com origem no Oeste africano é mais elevada em São Paulo do que a do Rio ou a de Porto Alegre. Nos séculos XVI e XVII, os africanos oriundos do Oeste chegaram aos portos de Salvador e Recife para em seguida serem vendidos aos proprietários dos engenhos de cana-de-açúcar do Nordeste. Mais tarde, porém, a decadência da economia açucareira levou ao deslocamento da mão-de- obra escrava para as plantações de café que floresciam no estado de São Paulo. Antes dessa migração interna, entre o fim do século XVIII e o início do XIX, São Paulo já apresentava uma concentração de escravos do Oeste africano muito mais elevada que no restante do país. De acordo com Klein, as razões para essa diferença ainda não são completamente compreendidas, mas talvez possam ser parcialmente explicadas pela importação de mão-de-obra diretamente do Oeste africano.

Maria Cátira explica a proporção mais baixa de material genético típico do Oeste da África entre os pretos de Porto Alegre pelo fato de os escravos chegarem ao sul do país por via indireta: 80% da mão-de-obra africana do Rio Grande do Sul era proveniente do Rio de Janeiro, onde a presença de povos do Oeste africano era mais baixa que no Nordeste brasileiro. Ainda assim transparece na composição genética dos pretos brasileiros o tráfico mais intenso para o país de escravos de Angola, no Centro-Oeste africano. Uma proporção menor (12%), mas significativa, veio da região de Moçambique, no Sudeste, sobretudo depois que a Inglaterra passou a controlar mais rigidamente os portos de embarque na costa atlântica da África.

Presença feminina – A contribuição africana para a composição genética do brasileiro não foi desigual apenas do ponto de vista geográfico. Enquanto os homens africanos foram os braços e as pernas que movimentaram a economia açucareira do Nordeste, as mulheres exerceram um encanto especial, de cunho sexual, sobre os senhores de engenho de origem européia, como o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre registrou em 1933 em Casa-grande & senzala, ensaio clássico sobre a formação do país. Por essa razão, o preto brasileiro guarda hoje em seu material genético uma contribuição maior das mulheres do que dos homens africanos, embora o volume do tráfico masculino tenha sido maior. Essa desigualdade, que os geneticistas chamam de assimetria sexual, torna-se evidente quando se comparam dois tipos de material genético. O primeiro é o DNA encontrado nas mitocôndrias, usinas de energia situadas na periferia das células. Transmitido pelas mães aos filhos de ambos os sexos, o chamado DNA mitocondrial permite conhecer a origem geográfica da linhagem materna de uma pessoa. O segundo tipo de material genético estudado é o cromossomo Y, que os pais passam apenas para seus filhos homens e serve como indicador da linhagem paterna. A equipe de Pena constatou que 85% dos pretos de São Paulo tinham DNA mitocondrial africano, enquanto apenas 48% apresentavam cromossomo Y característico da África. De modo semelhante, o grupo coordenado por Maria Cátira viu que, em 90% dos pretos do Rio e em 79% dos de Porto Alegre, o material genético africano era de origem materna. Do lado paterno, só 56% do Rio e 36% de Porto Alegre tinham material genético paterno típico da África. “Esses números comprovam a história de exploração sexual das escravas pelos brancos”, comenta Pena, “uma história nada bela porque se baseava em relação de poder”. Essa assimetria sexual confirmada pela genética já havia sido antes documentada e detalhada pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda, no livro Raízes do Brasil, pelo antropólogo Darcy Ribeiro, em O povo brasileiro, além de nos livros de Gilberto Freyre. Ela se tornou inconteste quando Pena e Maria Cátira começaram há cerca de dez anos, em trabalhos paralelos e complementares, a investigar a formação genética de brancos e pretos brasileiros com o auxílio do DNA mitocondrial e do cromossomo Y. As primeiras evidências de que o brasileiro carregava em suas células o material genético de índios, africanos e europeus surgiram em abril de 2000, quando o país comemorou os cinco séculos da chegada do colonizador português a este lado do Atlântico ou os 500 anos do descobrimento do Brasil. Aproveitando a data oportuna, Pena publicou – primeiro na revista Ciência Hoje, de divulgação científica, e depois no periódico acadêmico American Journal of Human Genetics – o trabalho que chamou de “Retrato molecular do Brasil”. Nesse estudo com 200 brasileiros das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul, o geneticista da UFMG constatou que, na realidade, 33% descendiam de índios por parte de mãe e 28% de africanos. Em outro estudo, publicado em 2001, mostrou que 98% dos brancos descendiam de europeus pelo lado paterno. Obviamente, a colaboração de índios e negros variava de acordo com a região do país. Essa era a demonstração genética do que já se conhecia do ponto de vista histórico, sociológico e antropológico. Os primeiros grupos de colonizadores europeus que chegaram ao Brasil depois de 1500 eram formados quase exclusivamente por homens. Milhares de quilômetros distantes de casa, tiveram filhos com as índias. Mais tarde, com a chegada dos escravos durante o ciclo econômico da cana-de-açúcar, passaram a engravidar também as africanas. A análise do material genético de pretos feita por Pena e Maria Cátira reforça esses resultados: 85% dos pretos brasileiros têm uma ancestral africana, mas os homens africanos estão representados em apenas 47% dos pretos – o restante tem ancestrais europeus em sua linhagem paterna. “É o outro lado da moeda”, diz Pena.

Retrato molecular – Mas o que o DNA mitocondrial e o cromossomo Y de fato revelam? Depende. São ferramentas genéticas fundamentais para determinar a composição de uma população porque são blocos de DNA que não se misturam com outros genes e passam inalterados de uma geração a outra. Mas esse material genético contém muito pouca informação sobre as características físicas de um indivíduo. Ter DNA mitocondrial africano, por exemplo, indica apenas que em algum momento do passado – recente ou não – houve uma mulher africana na linhagem materna daquela pessoa. É por isso que alguém com cabelos louros e olhos azuis pode ter entre suas ancestrais uma africana de pele escura, assim como um homem de pele escura e cabelos encaracolados pode ser descendente de europeus. Na tentativa de detalhar essa razão, Pena decidiu investigar um terceiro tipo de material genético: o chamado DNA autossômico, que se encontra no núcleo de quase todas as células do corpo. Pena e Flavia Parra selecionaram dez trechos do DNA autossômico típicos da população africana e criaram uma escala chamada índice de ancestralidade africana: quanto mais desses trechos uma pessoa possui, mais próxima ela estaria de um africano. Em seguida, foram procurá-los na população brasileira. Os pesquisadores mineiros testaram esse índice em 173 homens brancos, pretos e pardos de Queixadinha, interior de Minas Gerais, e viram que, em média, os três grupos apresentavam proporções semelhantes de ancestralidade africana, que era intermediária entre a de um português do Porto, em Portugal, e a de um africano da ilha de São Tomé, na costa Oeste da África. Em outro estudo, Pena e a bióloga Luciana Bastos Rodrigues analisaram 40 outros trechos de DNA autossômico e descobriram que eles são suficientes para distinguir um indivíduo africano de outro europeu ou de indígena nativo das Américas. Ao comparar esses mesmos trechos de 88 brancos e 100 pretos brasileiros com os de africanos, europeus e indígenas, Pena e Luciana observaram altos níveis de mistura gênica: tanto os brancos como os pretos apresentavam características genéticas de europeus e de africanos. Essa mistura foi ainda mais evidente entre os pretos, que, segundo Pena, “resultam de um processo de intensa miscigenação”. Com base nesses resultados obtidos em dez anos de investigação das características genéticas do brasileiro, Pena e Maria Cátira não têm dúvida em afirmar que, ao menos no caso brasileiro, não faz o menor sentido falar em raças, uma vez que a cor da pele, determinada por apenas 6 dos quase 30 mil genes humanos, não permite saber quem foram os ancestrais de uma pessoa. O geneticista brasileiro Marcelo Nóbrega, da Universidade de Chicago, Estados Unidos, concorda, embora afirme que as diferenças genéticas entre populações de continentes distintos podem ser úteis na área médica – por indicar capacidades diferentes de metabolizar medicamentos – e usadas para definir raça. “Isso não significa que as raças sejam profundamente diferentes entre si nem superiores umas às outras”, diz. Para ele, o aumento da miscigenação nos últimos séculos erodiu as divisões entre esses grupos, como no caso brasileiro, e deve tornar obsoleto o conceito genético de raças. Como já disse Gilberto Freyre em Casa-grande & senzala, “todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo – há muita gente de jenipapo ou mancha mongólica pelo Brasil –, a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro”. ■

O lado escuro da Barragem de Belo Monte no Brasil (fotografias)

Posted in BRASIL, ECONOMIA, FOTOGRAFIA, TECNOLOGIA by dibarbosa on 20 de junho de 2014

Por Elissa Curtis e Amanda Sakuma

última atualização em 05/nov/2014

Uma vista do canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte, 13 de maio de 2014. A capacidade prevista do complexo da barragem é 11.233 megawatts (MW) o que será o segundo maior complexo hidrelétrico do Brasil e no mundo terceira maior em capacidade instalada. Uma vez concluída, a barragem irá desviar 80% do fluxo do rio Xingu, inundando uma área de 415 quilômetros quadrados e forçando o deslocamento de 20.000 a 40.000 pessoas.

O Maior projeto de construção do Brasil atualmente em curso fica a milhares de quilômetros do Rio de Janeiro e São Paulo, principais concentrações urbanas do país. No coração da Amazônia, o Brasil está trabalhando para aproveitar o poder da energia potencial do rio Xingu na construção da enorme barragem de Belo Monte. Prevista para ser concluída em 2019, a barragem será a terceira maior do mundo, atrás da China Three Gorges e Brasil-Paraguai Itaipu.

A barragem fornecerá 11.233 megawatts de energia para uso residencial e comercial em todo o Brasil ao custo de 14,4 bilhões de dólares. Mas Belo Monte carrega uma grave crise humanitária e ambiental com ativistas lutando para preservar os principais afluentes do Amazonas e as comunidades das diversas tribos indígenas da região. Uma das cidades da região mais atingida pelo projeto de construção é Altamira. Pelo menos 20 mil pessoas, em uma contagem oficial, que vivem lá deverão ser forçadas a deixar suas casas, mas ativistas dizem que o número é 40 mil. Enquanto isso, milhares de trabalhadores migrantes trazidos para a área de construção da barragem estão alimentando a sociedade do submundo do crime, como o uso de drogas e a prostituição, além de destruir tribos indígenas da região. O Fotógrafo Tommaso Protti esteve na região e capturou a crise humana que ameaça as comunidades ao longo do rio Xingu. As fotograias exploraram a sensação de instabilidade presente na cidade de Altamira e da área afetada pela barragem de Belo Monte, bem como ajudaram a levantar questões sobre os impactos sociais resultantes da criação de grandes usinas hidrelétricas, de acordo com Protti.

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Baía de Guanabara tem águas mais sujas da Terra

Posted in AMBIENTALISMO, BRASIL, ECONOMIA, ESPORTES, MUNDO, OPINIÃO, POLÍTICA, PROTESTOS NO BRASIL by dibarbosa on 19 de maio de 2014

Favela à Beira da Bahia de Guanabara – 1972 / Créditos: Ray Langsten – PANORAMIO

Mais uma para a série VERGONHA DE SER BRASILEIRO: Um velejador da Áustria, que veio ao Rio de Janeiro se preparar para os Jogos Olímpicos de 2016, disse que era o lugar mais sujo que já tinha treinado. Ele viu, nas águas da Baía de Guanabara, desde pneus de carro a colchões, inclusive carcaças de cães e até mesmo cadáveres humanos. E a água era tão fétida, devido ao esgoto recebido das favelas ao redor, que o desportista teve medo de colocar seus pés nela para puxar seu barco para a terra.

rio2016-pt-brA notícia foi publicada no The New York Times e retrata a indignação do mundo com a falta de infraestrutura de um país que já enfrenta problemas para a realização da Copa do Mundo e que agora começa a ser indagado acerca das Olimpíadas de 2016. Provas de barco a vela e windsurf serão realizadas na Baía de Guanabara. Representantes do Comitê Olímpico Internacional disseram que os preparativos da cidade são os piores já vistos pois o Complexo Esportivo de Deodoro, que será o segundo local mais importante das Olimpíadas Rio 2016,  sequer saiu do papel. Mais uma vez, a mídia internacional menciona a corrupção da politicada brasileira que vai seguindo na impunidade e, o que é pior, colocando todo o Brasil em uma cronologia ultrapassada e com atrasos de desenvolvimento escandalosos, uma vez que todos os esforços bem financiados para limpeza da Baía foram minados pela má gestão. Estima-se que apenas 10 por cento do lixo que cai na Baía de Guanabara seja coletado. Além disso, os próprios gestores municipais, estaduais e federais não exibem uma postura consensual e mantêm o impasse sobre quem deve pagar por determinados projetos olímpicos. A preparação para os Jogos Olímpicos de 2016 pode ser ainda mais difícil do que está sendo a Copa de 2014. Autoridades brasileiras disseram que poderiam remodelar o palco dos Jogos Pan-Americanos de 2007 a baixo custo. Mas agora o Rio planeja construir uma nova estrutura que custa 10 vezes mais do que a original. Caramba! De novo não! Nós já vimos essa novela. Somos obrigados a concordar que só mudam os personagens.

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Manual do estrangeiro assaltado na Copa do Mundo do Brasil 2014

Posted in BRASIL, DICAS, MUNDO, OPINIÃO, PROTESTOS NO BRASIL, VERGONHA DE SER BRASILEIRO, VIDA URBANA by dibarbosa on 12 de maio de 2014

NÃO REAJA, NÃO GRITE, NÃO DISCUTA

cartilha na copaEssas são as principais recomendações de uma cartilha criada para o turista estrangeiro. O Governo brasileiro divulgará folhetos para os visitantes que vierem ao país assistir a Copa Mundial de Futebol 2014 com recomendações sobre como deverão agir em caso de serem vítimas de assalto ou roubo. A campanha foi elaborada pelo Comité de Gestão do Mundial da Polícia Civil de São Paulo com a intenção de evitar que os gringos tenham problemas reais de risco de vida. O presidente do comitê, Mário Leite, disse em uma entrevista ao jornal Estado de São Paulo que os informativos serão publicados em inglês, espanhol e francês e serão enviados às embaixadas e consulados para que os diplomatas os direcionem aos cidadãos de seus países antes que estes cheguem ao Brasil. Leite explica que principalmente os turistas americanos e europeus não estão acostumados a estes delitos. “Não reaja, não grite, não discuta”, aconselha os folhetos. “Não ostentar objetos valiosos, ter cuidado com a noite e andar somente acompanhado” adiantou Mário Leite sobre outros conselhos. Há uma recomendação que chega a ser paranóica: “Observe constantemente se você está sendo seguido”. Ainda que o número total de assassinatos no estado de São Paulo tenha caído no ano passado, os roubos seguidos de morte aumentaram cerca de 9% em nove anos. Já a França teve a iniciativa de alertar os seus cidadãos antes do Carnaval e três meses antes da Copa 2014 lançando um guia com os locais mais perigosos do Brasil. O texto alerta para ataques a turistas que vão a todas as áreas do Rio de Janeiro, em especial a Copacabana onde se concentra mais de 50% dos casos de furtos ou roubos à mão armada reportados à polícia. Sobre as estradas paulistas, o documento pede aos turistas cuidado em áreas onde a velocidade deve ser reduzida devido aos conhecidos riscos de assalto à mão armada, especialmente nas vias que ligam São Paulo às cidades do litoral do Estado, recomendando aos franceses que observem pessoas que se posicionam em lombadas. O guia afirma que, na capital paulista, os locais mais arriscados são a Praça da República, Sé e Estação da Luz. Sobre Brasília, o documento alerta para o risco de sequestro relâmpago recomendando não estacionar em locais ermos e mal iluminados, sair rapidamente do carro e evitar falar ao telefone ao desembarcar. Já em Recife o governo da França faz menção ao golpe boa noite Cinderela e aconselha a turistas baladeiros a jamais abandonarem seus copos. Em Pernambuco, os tubarões que atacam na praia foram lembrados. Em suma, o guia recomenda aos turistas usarem duas carteiras, dirigirem com os vidros fechados e portas trancadas e se andar de ônibus ou metrô ficar de olho nos pertences. É desaconselhável o turismo em favelas.

xykzr0hjt_2ft9mi9wd3_fileEntão? A Copa Mundial de Futebol de 2014 começa em 12 de junho e o Brasil espera receber mais de 600.000 turistas estrangeiros e prevê o deslocamento interno de mais de 3 milhões de habitantes. Como você, brasileiro, está se sentindo após ler tudo isso? Eu vou falar por mim: me sinto envergonhado de ser brasileiro. Imagine você na Europa, ou outro lugar do mundo com um IDH alto, dizendo: sou brasileiro(a). Logo depois, olhe bem para a pessoa que acabou de saber tua nacionalidade e lembre-se deste texto. É isso que ela estará pensando de você.

8cc06aa947846dfc7071449392971fb5Copyright © 2014 UrbsMagna 

 

 

Petrobras: nossa menina dos olhos

Posted in BRASIL, BRICS, ECONOMIA, MUNDO, POLÍTICA by dibarbosa on 19 de abril de 2014

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Nenhuma empresa representa tanto a ascensão do Brasil quanto a Petrobras que, graças a uma das maiores descobertas de petróleo do século, subiu para os altos escalões de produtores globais de energia beirando a independência e a superação como a mais valiosa empresa de capital aberto do mundo. Mas esta linda imagem que foi cuidadosamente pintada pelos políticos brasileiros atualmente tem se desbotado aos olhos do mundo inteiro que, agora, observa à nós e à nossa economia lenta em uma desordem incompreensível que se deteriora dia após dia. Tão rapidamente que as nações mais ricas do planeta começam um processo de reavaliação das perspectivas de crescimento dos mercados emergentes ao redor do mundo, a tomar como exemplo a estagnação da produção de petróleo da Petrobras e o aumento de nossa dependência da importação do mesmo produto, além das investigações de corrupção e reclamações de incompetência gerencial que fez sua dívida explodir classificando-a como a empresa mais endividada do mundo. Para que possamos entender o escândalo em vigor basta fixarmos nossa atenção para a refinaria de petróleo Lima, atualmente em construção no estado brasileiro de Pernambuco, que teve seu custo inicial estimado em U$ 2,5 bi e agora saltou para U$ 18,5 bi, o que revelou um potencial enorme para uma grande possibilidade de corrupção e que serve como um retrato perfeito para a situação do declínio vergonhoso que presenciamos, sem falar de Pasadena. Mas, apesar de tudo a Petrobras continua a ser uma grande potência energética pioneira na exploração em águas profundas com suas reservas de petróleo e gás estimadas em cerca de 13 bilhões de barris. A dívida revelada, segundo um comunicado oficial, subiu devido aos pesados investimentos na expansão da capacidade de refino, mas a partir de 2015 a geração de receita vai superar o investimento. E, mesmo que analistas internacionais digam que a fase dourada após o boom dos mercados emergentes, como Brasil, China , Rússia e Turquia, esteja chegando ao fim situando nosso país com um nada estimulante crescimento abaixo dos 2% em 2014, a Petrobras continua sendo a mais poderosa empresa do Brasil que, em meio aos infindáveis enredos escandalosos, se esforça em elevar sua produção de petróleo e gás que caiu 2,2% em 2013. Há sinais de que este ano a Petrobras finalmente terá sucesso em reverter a produção, que subiu 0,3% em fevereiro em relação ao mês anterior. Mesmo com as perdas de US$8bi em 2013 advindas do esforço de Dilma Rousseff para conter a inflação evitando a elevação do preço dos combustíveis em um ano eleitoral a Petrobras continua longe de se aproximar dos níveis de tensão política e relações opacas que caracterizam a Venezuela.

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Síntese da reportagem fonte em The New York Times

Em vídeo estrangeiro no YouTube, Nike lança campanha “Desafio de Ser Brasileiro”

Posted in ARTE, BRASIL, ESPORTES, MUNDO by dibarbosa on 2 de dezembro de 2013

A alma do Futebol do Brasil é investigada pela Nike em seu novo vídeo de campanha. A seleção de futebol parece ter sido eternizada com o rótulo de “Canários Divinos”.

Na Europa, um novo vídeo da gigante dos esportes Nike foi lançado. O título: “Desafio de ser brasileiro“. E esta é, certamente, a questão que se apresenta nesta nova investida promocional de sua imagem, que terá um evento com sorteios de ingressos para a Copa do Mundo do Brasil, na próxima sexta-feira 06/12, em algum lugar do exterior.

Nas imagens, um turbilhão de cenas de um minuto e meio de duração, figuram os craques da atual seleção brasileira. Estrelas como Thiago Silva, Paulinho, David Luiz e Neymar aparecem “trabalhando duro” em uma performance comum para nós há muitos anos, e em especial desde Pelé, mas que com o passar das décadas consagrou definitivamente o nosso esporte favorito lá fora.

O técnico Scolari também é visto no vídeo e, até mesmo o ícone Ronaldo ganhou um pequeno papel. A estrutura da produção parece clara: mostrar a alma do futebol brasileiro, e por outro lado, o futebol vistoso dos ‘Canários Divinos “. ASSISTA:

No fim da Era do Dólar dos EUA, vem aí uma nova moeda

Posted in ÍNDIA, BRASIL, BRICS, CHINA, ECONOMIA, EUA, GEOGRAFIA, MUNDO, POLÍTICA, RÚSSIA, SOUTH AFRICA by dibarbosa on 26 de outubro de 2013

Bloco econômico BRICS cria um novo sistema financiero mundial

Corbis / RT

O mundo precisa de um novo consenso. A nova era exige novas instituições que substituam o Banco Mundial, o FMI e a OMC. Os países que compõem o bloco econômico BRICS têm a responsabilidade de materializá-las.

Um artigo do diario RBC Daily destaca que a crise das antigas instituições financieras criadas no marco do sistema de Bretton Woods depois da Segunda Guerra Mundial permitiu que se intensificasse o protagonismo dos países BRICS que vão trocar toda arquitetura financieira global. Supunha-se que o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Organização Internacional do Comércio iriam garantir a estabilidade econômica mundial.

Moeda chinesa YUAN já é uma das 10mais negociadas do mundo.
Clique para ler.

 Porém, desde a década de 1970 estas instituições se inclinaram ideologicamente para uma política extremista de mercado e ordem neocolonial. De certa maneira, foram estas políticas fundamentalistas que propiciaram a crise d 2008.

Neste sentido, a nível internacional, ocorrerá uma reconfiguração da arquitetura financeira global que recairá nas mãos dos países que compõem o bloco BRICS. Sua influência irá crescer. Haverá, assim, a utilização da economia integrada em lugar de se seguir as políticas do consenso de Washington, de um fundamentalismo de mercado. E para consegui-lo, BRICS cumpre todos os requisitos. Os países alcançaram acordos comerciais bilaterais fora da OMC, estabelecendo os preços dos bens dentro dos limites dos cestos de moedas mixtas, o que faz um cambio radical da precepção da economia mundial. Agora os países BRICS estão preparando a criação de um novo banco de desenvolvimento, um fundo de estabilização e um mecanismo para a resolução de disputas comerciais que possam substituir as funções do Banco Mundial, do FMI e da OMC.

Para ter a possibilidade de influenciar nos assuntos econômicos globais, a China e outros países BRICS decidiram que é hora de criar um novo consenso global. Em março de 2012, BRICS emitiram a Declaração de Nova Delhi, dizendo que urge um novo sistema financiero. Em março de 2013, na África do Sul, BRICS sugeriu a criação do banco BRICS como alternativa ao Banco Mundial. Acordaram estabelecer um Conselho de Negócios BRICS que atuará como órgão de adminstração da zona de livre comércio, criado para trabalhar paralelamente com a OMC.

Pode-se esperar como alternativa que o banco BRICS oferecerá empréstimos não limitados por condições, mas a taxas de interesses mais altas com um enfoque mais empresarial. Ademais, poderá financiar projetos em setores que o Banco Mundial atualmente não trabalha, como por exemplo no campo dos biocombustíveis ou energia nuclear. O passo seguinte mais lógico seria a criação de um fundo de estabilização BRICS como uma alternativa ao FMI, o que pode requerer a criação de uma nova moeda de reserva global. É possível que se inclua na cesta o Real, o Rublo, a Rúpia, o Yuan e o Rand. Claro que BRICS se esforçam para ser menos dependentes do dólar dos EUA.

Ao converter-se numa alternativa viável ao FMI, o fundo de emergência será capaz de trocar o financiero global. O fundo de estabilização BRICS poderia alcançar 240 bilhões de dólares en moeda estrangeira, que é mais que o PIB combinado de 150 países. Isto aumentará o prestígio dos países BRICS não só como centro de poder regional, mas também como uma força para se distanciar do subdesenvolvimento.

fonte: rt.com

Glenn Greenwald na CPI da Espionagem dos EUA

Posted in BRASIL, EUA, MUNDO, SNOWDEN by dibarbosa on 15 de outubro de 2013

Brasília – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Espionagem ouve o jornalista Glenn Greenwald sobre as denúncias de espionagem do governo dos Estados Unidos ao Brasil. E/D: Glenn Greenwald, e a presidenta da CPI, senadora Vanessa Grazziotin
FONTE: AGENCIABRASIL

Glenn Greenwald, o jornalista americano que ajudou a revelar a espionagem digital do governo dos EUA, tem mais revelações.

O jornalista, que agora vive no Rio de Janeiro junto a seu companheiro brasileiro David Miranda, com quem na semana passada participou da CPI da Espionagem presidida pela senadora Vanessa Grazziotin, disse que irá continuar publicando tudo sobre o escândalo americano revelado por Edward Snowden, agora com novidades sobre África e França. E mesmo após sofrer ameaças dos Estados Unidos e Reino Unido, Greenwald acrescentou que a NSA espiona quase todos os países do mundo com interesses em suas economias e ampliação de seu poderio. Disse ainda que muitos países da África se deixam espionar indiscriminadamente e sem limites.

David Miranda e Glenn Greenwald

Greenwald lamentou que sua vida privada esteja em foco: “Só uso o telefone para falar de coisas banais, pois todos os meus correspondentes são espionados e têm que vir ao Rio para se reunirem comigo.

Fontes: RT e Agência Brasil

LULA e BOLSA FAMÍLIA x CORONELISMO

Posted in ALIMENTAÇÃO, BRASIL, ECONOMIA, GEOGRAFIA, Livros, OPINIÃO, POLÍTICA by dibarbosa on 18 de julho de 2013

atualização 03/novembro/2016

O Bolsa Família mudou a vida nos rincões mais pobres do país: o tradicional coronelismo perdeu força e a arraigada cultura da resignação foi abalada.

coronelismoA socióloga Walquiria Leão Rego e o filósofo italiano Alessandro Pinzani escreveram “Vozes do Bolsa Família” – resultado de cinco anos de entrevistas com os beneficiários em lugares como o Vale do Jequitinhonha (MG), o sertão alagoano, o interior do Maranhão, Piauí e Recife. Investigaram o “poder liberatório do dinheiro” provocado pelo programa. Sem se preocupar com estatística, a pesquisa foi qualitativa e baseada em entrevistas abertas. 
A socióloga defendeu que o Bolsa Família “foi o início de uma democratização real” do país. Ela afirmou também que “nossa elite é muito cruel” devido aos preconceitos que cercaram a iniciativa.
Rego afirmou que existe “
uma crueldade no modo como as pessoas falam dos pobres” e que há uma crueldade social presente que se fizeram registrar em casos que chocaram o Brasil como o caso dos adolescentes que esfaquearam mendigos e queimaram índios. “A sociedade tem desigualdades tão profundas e muito antigas. Não se olha o outro como um concidadão, mas como se fosse uma espécie de sub-humanidade. Certamente essa crueldade vem da escravidão. Nenhum país tem mais de três séculos de escravidão impunemente.”
Ocorreram transformações sociais para os beneficiários do programa. De repente se ganhou uma certa dignidade na vida, algo que nunca se teve, que é a regularidade de uma renda. Se ganhou uma segurança maior e respeitabilidade. Houve também um impacto econômico e comercial muito grande. Bons pagadores, este povo aprendeu a gerir o dinheiro após mais de uma década de experiência. Não resolveu o problema, mas foi o início de uma democratização real, da democratização da democracia brasileira. É inaceitável uma pessoa se considerar um democrata e achar que não tenha nada a ver com um concidadão que esteja ali caído na rua. Essa é uma questão pública da maior importância.
A constitucionalização do Bolsa Família precisava ser feita urgentemente e a renda teria que ser maior porque é um programa barato com apenas 0,5% do PIB e as pessoas têm direito à renda básica. Teria que ser uma política de Estado com governos impossibilitados de dizer que não tem mais recurso. Infelizmente, qualquer política distributiva mexe com interesses poderosos – isso é histórico. A elite brasileira acha que o Estado é para ela, que não pode ter esse negócio de dar dinheiro para pobre. Além de o Bolsa Família entrar na Constituição, é preciso ter outras políticas complementares, políticas culturais específicas. É preciso ter uma escola pensada para aquela população. É preciso ter outra televisão, pois essa é a pior possível, não ajuda a desfazer preconceitos. É preciso organizar um conjunto de políticas articuladas para formar cidadãos.
As pessoas quando saem desse nível de pobreza não se transformam só em consumidores. A gente se engana. Uma pesquisadora sobre o programa Luz para Todos, no Vale do Jequitinhonha, perguntou para um senhor o que mais o tinha impactado com a chegada da luz. A pesquisadora, com seu preconceito de classe média, já estava pronta para escrever: fui comprar uma televisão. Mas o senhor disse: ‘A coisa que mais me impactou foi ver pela primeira vez o rosto dos meus filhos dormindo; eu nunca tinha visto’. Essa delicadeza… a gente se surpreende muito.
Durante as entrevistas que fez nos lugares citados acima, a socióloga presenciou uma alegria que sentiram de poder partilhar uma comida que era deles, que não tinha sido pedida. Não tinham passado pela humilhação de pedi-la; foram lá e compraram. Crianças que comeram macarrão com salsicha pela primeira vez. É muito preconceituoso dizer que só querem consumir. A distância entre a elite brasileira e os pobres é tão grande que a gente não pode imaginar. A carência lá é tão absurda a ponto de poder ser uma grande experiência tomar água gelada.
As mulheres se tornaram mais independentes com o auxílio do governo. 
Elas nunca tiveram dinheiro e passaram a ter, são titulares do cartão, têm a senha. Elas têm uma moralidade muito forte: compram primeiro a comida para as crianças. Depois, se sobrar, compram colchão, televisão. E quando uma beneficiária foi questionada ela disse: ‘Pensando bem, acho que a bolsa nos dá mais coragem para resolver questões complicadas no casamento’. Certamente essas mulheres são mais independentes, como qualquer pessoa que não tinha nada e passa a ter uma renda. Um homem também. Mas há censuras internas, tem a religião. As coisas são muito mais espessas do que a gente imagina.
Outra questão é a do machismo. 
Se o machismo é muito percebido em São Paulo, imagina quando no chamado Brasil profundo. Lá, os padrões familiares são muito rígidos. É comum se ouvir que a mulher saiu da escola porque o pai disse que ela não precisava aprender. Elas se casam muito cedo. Agora, como prevê a sociologia do dinheiro, elas estão muito contentes pela regularidade, pela estabilidade, pelo fato de poderem planejar minimamente a vida.
E atingindo em cheio o fim a que se destina esta matéria, o Bolsa Família enfraqueceu o coronelismo. O dinheiro vem no nome da mulher, com uma senha dela e é ela que vai ao banco; não tem que pedir para ninguém. É muito diferente se o governo entregasse o dinheiro ao prefeito. Num programa que envolve 54 milhões de pessoas, alguma coisa de vez em quando [acontece]. Mas a fraude é quase zero. O cadastro único é muito bem feito. Foi uma ação de Estado que enfraqueceu o coronelismo. Elas aprenderam a usar o 0800 e vão para o telefone público ligar para reclamar. Essa ideia de que é uma massa passiva de imbecis que não reagem é preconceito puro. O coronel perdeu peso porque ela adquiriu uma liberdade que não tinha. Não precisa ir ao prefeito. Pode pedir uma rua melhor, mas não comida, que era por ai que o coronelismo funcionava. Há resíduos culturais. Ela pode votar no prefeito da família tal, mas para presidente da República, não. E até 2011, quando Walquiria Leão Rego terminou a pesquisa, os votos eram de Lula. E por que ele tem essa força? A resposta é que nunca paramos para estudar o peso da fala testemunhal. Todos sabem que ele passou fome, que é um homem do povo e que sabe o que é pobreza. A figura dele é muito forte. O lado ruim é que seja muito personalizado. Mas, também, existe uma identidade partidária, uma capilaridade do PT.
Mas o Bolsa Família não é uma droga que torna o lulismo imbatível nas urnas. 
A elite brasileira ignora o seu país e vai ficando dura, insensível. Sente aquele povo como sendo uma sub-humanidade. Imaginam que essas pessoas são idiotas. Por R$ 5 por mês eles compram uma parabólica usada. Certa vez numa casa eles estavam vendo TV Senadojustificando que que gostam de aprender.
O SUS (Sistema Único de Saúde) realizou várias laqueaduras a pedido das beneficiárias. É o sonho maior. Aliás, outro preconceito é dizer que elas vão se encher de filhos para aumentar o Bolsa Família. É supor que sejam imbecis. O grande sonho é tomar a pílula ou fazer laqueadura.
Nas r
egiões visitadas pela socióloga não há emprego. Eles são chamados ocasionalmente para, por exemplo, colher feijão. É um trabalho sem nenhum direito e ganham menos que no Bolsa Família. Não há fábricas; só se vê terra cercada, com muitos eucaliptos. Os homens do Vale do Jequitinhonha vão trabalhar por salários aviltantes. Diversos fazendeiros relataram que não conseguiam mais homens para trabalhar por causa do Bolsa Família. Muitos pagam R$ 20 por semana, quase escravidão. Pagam uma miséria por um trabalho duro de 12, 16 horas, não assinam carteira, são autoritários e acham que as pessoas têm que se submeter a isso. E dizem que receber dinheiro do Estado é uma vergonha.
Mas as mulheres gostar
iam de ter emprego, salário, carteira assinada, férias, direitos. Há também uma pressão social. Uma pesquisa feita em Itaboraí, no Rio de Janeiro, diz que lá elas têm vergonha de ter o cartão. São vistas como pobres coitadas que dependem do governo para viver, que são incapazes, vagabundas. Como em “Ralé”, de Máximo Gorki, os pobres repetem a ideologia da elite. A miséria é muito dura.
A cultura da resignação foi muito estudada e é tema da literatura: Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego. Ela tem componente religioso: ‘Deus quis assim’. E mescla elementos culturais: a espera da chuva, as promessas. Essa cultura da resignação foi rompida pelo Bolsa Família: a vida pode ser diferente, não é uma repetição. É a hipótese levantada. Aparece uma coisa nova: é possível e é bom ter uma renda regular. É possível ter outra vida, não precisar ver os filhos morrerem de fome, como muitas mães e avós viam ntes. Com o Bolsa Família iniciou-se o sentimento de que o Brasil inovou de verdade com negras médicas, dentistas, por causa do ProUni (Universidade para Todos). Depois de todos estes anos, o Bolsa Família mostrou que é possível melhorar de vida, aprender coisas novas. Não tem mais o ‘Fabiano’ [personagem de “Vidas Secas”], a vida não é tão seca mais.

Participação do Paraná nas exportações brasileiras bate recorde em 2012

Posted in Sem categoria by dibarbosa on 9 de junho de 2013
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Em meio a protestos, Câmara aprova redução de 25% nos salários dos professores de Juazeiro do Norte

Posted in Sem categoria by dibarbosa on 8 de junho de 2013
Publicado em FolhaPolítica em 7 de junho de 2013
Foi aprovado pela Câmara Municipal de Juazeiro do Norte um projeto de autoria do prefeito, Raimundo Macedo (PMDB), que reduz em até 25% o salário dos professores da rede pública do Município. Além disso, a carga horária foi aumentada e diversos benefícios e direitos foram cancelados, tais como as vantagens para professores próximos da aposentadoria ou que adquiram doenças no exercício da profissão.

Professora chora ao ter salário reduzido em Juazeiro do Norte Imagem: Normando Sóracles/Agência Miséria

Durante a votação, ocorreram protestos organizados pelos interessados. Houve conflito entre professores, vereadores e policiais militares, envolvendo, inclusive, cassetetes e sprays de pimenta. A despeito disso, o projeto foi aprovado por 63% dos votantes.
Os manifestantes chegaram a invadir o plenário, sendo contidos pela Polícia Militar e pela Guarda Municipal. A aprovação deu-se sob vaias de professores e simpatizantes. Quanto ao contexto nacional, emergem manifestos por melhorias na educação pública, tanto por professores, quanto por alunos e cidadãos de outros setores. Fato notável foi a greve dos professores municipais em São Paulo, no mês passado.
A justificativa para a aprovação seria relativa à necessidade de reduzir a “inviável” folha de pagamentos da Prefeitura, alegando-se que o salário anterior seria superior ao piso pago aos professores no Estado. Os professores replicaram que não deveriam ser penalizados por isto, tendo em vista que a Prefeitura mantém inúmeros cargos comissionados “desnecessários”.
O piso estabelecido pelo Ministério da Educação para o magistério é de R$1,56 mil. Os professores recebiam cerca de R$2,2 mil, incluindo benefícios.
Qual é a sua posição a respeito? Os professores deveriam ser penalizados por uma aparente má gestão nas contas da Prefeitura? O fato de receberem acima do piso no Estado é uma justificativa para a redução? O piso deveria ser aumentado? Há relação entre a qualidade da educação e o salário dos professores? Opine e contribua para a construção do diálogo democrático.
Lígia Ferreira é analista de sócio-mecanismos.
Com informações de O Povo e Jornal da Educação.
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Em maio, IBGE prevê safra 14,8% maior que a de 2012

Posted in Sem categoria by dibarbosa on 6 de junho de 2013

A quinta estimativa da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosasi totalizou 185, 9 milhões de toneladasii , superior 14,8% à obtida em 2012 (161,9 milhões de toneladas), e com variação absoluta positiva de 959.709 toneladas em relação à estimativa de abril (0,5%). A área a ser colhida em 2013, estimada em 52,9 milhões de hectares, cresceu 8,4% frente à de 2012 (48,8 milhões de hectares) e 0,2% (+128.262 ha) frente à prevista no mês anterior. O arroz, o milho e a soja que, somados, representaram 92,2% da estimativa, responderam por 86,0% da área a ser colhida. Em relação a 2012 houve acréscimos na área de 8,9% para o milho, 10,9% para a soja e um pequeno decréscimo de 463 ha (-0,0%) na área colhida de arroz. Quanto à produção estimada, os acréscimos em relação a 2012 foram de 3,9% para o arroz, de 10,0% para o milho e de 23,5% para a soja. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada emwww.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/agropecuaria/lspa.

Entre as Grandes Regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição: Centro-Oeste, 75,8 milhões de toneladas; Região Sul, 73,3 milhões de toneladas; Sudeste, 19,5 milhões de toneladas; Nordeste, 12,8 milhões de toneladas e Norte, 4,5 milhões de toneladas. Em relação à safra passada, houve altas de 7,0% na Região Centro-Oeste, 32,7% na Sul, 1,2% na Sudeste e 8,2% na Nordeste. Na Região Norte houve queda de 4,0%. Nessa avaliação para 2013, o Mato Grosso foi o maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 23,8%, seguido pelo Paraná (20,3%) e Rio Grande do Sul (15,7%). Somados, estes três estados representaram 59,8% do total nacional previsto.

Devido ao calendário agrícola, os cultivos de terceira safra de alguns produtos e para as culturas de inverno (trigo, aveia, centeio, cevada e triticale) não permitem que se tenha ainda uma avaliação da produção. Assim, os dados correspondem às projeções obtidas a partir das informações ocorridas em anos anteriores.

Estimativa de maio em relação à de abril

No Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de maio destacaram-se as variações nas estimativas de produção, em relação a abril, de dez produtos: arroz (-1,2%), café (-0,3%), feijão 1ª safra (-10,2%), feijão 2ª safra (2,8%), feijão 3ª safra (-7,1%), mandioca (-2,7%), milho 1ª safra (-1,7%), milho 2ª safra (3,0%), sorgo (19,6%) e trigo (1,0%).

ARROZ (em casca) – Em relação a abril, a estimativa da produção nacional de arroz decresceu, 139.829 toneladas (-1,2%) devido, principalmente, às avaliações do Piauí, 48.618 t (-32,6%), Maranhão, 46.789 t (-7,6%), Rondônia, 13.364 t (-9,2%), Rio Grande do Sul, 13.103 t (-0,2%), Bahia, 8.214 t (-77,0%), Paraíba, 7.639 t (-95,9%), Goiás, 4.311 t (-2,8%), Ceará, 1.847 t (-2,3%) e Minas Gerais, 1.090 t (-2,4%).

CAFÉ TOTAL (em grão) – Em relação a abril, as informações de maio apresentaram decréscimo de 0,3% na produção esperada e acréscimo de 0,1% no rendimento médio. A variação na produção do café canephora em relação ao mês passado foi de apenas +0,4% e a variação apresentada pelo café arábica, de -0,5%. A estimativa para a safra nacional de 2013, com a colheita já iniciada, é de 2.984.483 toneladas, ou 49,7 milhões de sacas.

CAFÉ ARÁBICA (em grão) – A produção nacional do arábica foi estimada, em maio, em 2.196.589 toneladas do grão, o que equivale a 36,6 milhões de sacas de 60 kg. Este número representou decréscimo de 0,5% em relação a abril. O rendimento médio caiu – 0,1%e a área plantada total, – 0,3%. A área destinada à colheita também decresceu – 0,3%.

CAFÉ CANEPHORA (em grão) – A estimativa da produção nacional, de 13,1 milhões de sacas, foi reavaliada positivamente em 0,4%, em função dos resultados no Espírito Santo, 1º produtor nacional. Mas o aumento esperado de 1,1% na produção desse estado foi considerado pequeno. A falta de chuvas no período de frutificação pode continuar influenciando negativamente o rendimento nos próximos levantamentos (-0,2% em relação a abril).

FEIJÃO (em grão) total – A estimativa da produção nacional de feijão, considerando as três safras do produto, foi de 3.029.682 toneladas, 4,5% menor que a informada em abril. A Região Nordeste também foi a principal responsável por esta avaliação negativa da produção de feijão em relação ao levantamento anterior. Em números absolutos, os decréscimos foram de 115.377 toneladas na expectativa de produção do Nordeste, de 16.747 toneladas na da Região Sul, de 5.952 toneladas na da Centro-Oeste e de 5.639 toneladas na da Sudeste. A Região Norte foi a única a apresentar acréscimo na estimativa de produção, em termos absolutos, de 1.537 toneladas em relação à última avaliação. A 1ª safra de feijão participa com 41,6% da produção nacional de feijão em grão, a 2ª safra participa com 43,5% e a 3ª safra participa com 14,9%.

FEIJÃO (em grão) 1ª safra – Para o feijão 1ª safra, foi estimada uma produção de 1.258.667 toneladas para 2013, menor 10,2% em relação à quarta avaliação da safra. O Nordeste, que foi muito afetado pela estiagem, apresenta reduções significativas na Bahia (-53,6%), Paraíba (-69,3%), Piauí (-44,7%), Pernambuco (-24,1%), Rio Grande do Norte (-39,4%), Ceará (-4,2%) e Maranhão (-1,3%). Destaques positivos nas avaliações do Paraná, Pará e Rio Grande do Sul, com acréscimos de, respectivamente, 4,5%, 216,4% e 1,6%, frente ao levantamento de abril.

FEIJÃO (em grão) 2ª safra – Para o feijão 2ª safra, a estimativa de produção foi de 1.318.884 toneladas registrando um aumento de 2,8% frente a abril. Esse aumento deveu-se principalmente à alteração nos números da Bahia (72,8%), Mato Grosso (10,6%), Pernambuco (12,9%), Minas Gerais (1,5%) e Sergipe (7,8%). As elevações dos preços incentivaram o plantio, mesmo com os riscos climáticos de geada e estiagem que podem ocorrer neste período de plantio. Aumento de 9,3% na área plantada e na área destinada à colheita, na comparação dos dados mensais, totalizando, respectivamente, 1.171.297 ha e 1.167.251 ha.

FEIJÃO (em grão) 3ª safra – A produção esperada de 452.131 toneladas, para este terceiro período de plantio do feijão em grão, é menor 7,1%. Estima-se uma redução de área a ser plantada em 8,5%, embora se espere uma melhora do rendimento médio de 1,5%. O Estado de Goiás reduziu a sua estimativa de produção em 26.257 toneladas, Minas Gerais decresceu 8.520 toneladas e no Paraná a redução foi de 276 toneladas. No levantamento de maio, somente o Mato Grosso estima acréscimo absoluto da produção em 303 toneladas, em relação a abril.

MANDIOCA (raízes) – Nova avaliação negativa na estimativa de produção de mandioca para 2013, queda de 2,7% da produção em relação à informada em abril. A estiagem prolongada no nordeste, desde 2012, afetou a produção deste ano. Outro problema verificado no Nordeste foi a falta de material propagativo (manivas) para iniciar novos cultivos, pois a seca incentivou maior aproveitamento da parte aérea das plantas na alimentação animal. Variações negativas nas estimativas de produção foram informadas pela Bahia (-11,4%), Rio Grande do Norte (-54,0%), Paraíba (-25,3%), Piauí (-13,6%), Sergipe (-7,3%), Maranhão (-1,4%) e Ceará (-1,7%).

MILHO TOTAL (em grão) – De acordo com o levantamento de maio, a estimativa da produção total de milho em grão foi de 78.457.108 toneladas, 0,8% maior que a apresentada no mês anterior, mantendo a expectativa de safra recorde. A área plantada também apresentou aumento de 0,1% em relação a abril com decréscimo de 0,2% em relação a área colhida e a ser colhida. Do volume da produção esperada, 34,9 milhões de toneladas (44,5%) são de milho 1ª safra e 43,6 milhões de toneladas (55,5%) são de milho 2ª safra. Como o cereal apresenta-se com bons preços no mercado, os produtores investiram na segunda safra.

MILHO (em grão) 1ª safra – O cereal apresentou variação negativa na estimativa de produção, frente a abril, de 1,7%. O Nordeste, fortemente afetado pela estiagem, é o principal responsável pela redução na expectativa de produção. Também houve quedas na Bahia (16,1%), no Piauí (-25,2%), na Paraíba (-75,9%), no Maranhão (-2,8%), no Rio Grande do Norte (-50,7%) e no Ceará (-0,4%). Em outras regiões, houve quedas no Paraná (-0,9%) e Goiás (-0,4%), e altas no Rio Grande do Sul (1,7%) e no Mato Grosso (3,1%).

MILHO 2ª SAFRA (em grão) – A estimativa de produção do milho 2ª safra em maio foi de 43.577.639 toneladas, indicando um crescimento de 3,0% em relação à informação de abril. A área plantada e a ser colhida cresceram 1,8% e o rendimento médio esperado aumentou 1,1% em função das boas condições do clima, que junto com a alta tecnologia utilizada pelo produtor está favorecendo as lavouras. O Paraná, que espera produzir 24,9% da produção nacional neste período de plantio, informou decréscimo de 6,0% na sua previsão de colheita. No Centro-Oeste, houve aumento médio de 5,1% na produção, com destaque para Mato Grosso (10,0%).

SORGO (em grão) – A estimativa de produção do sorgo em maio foi de 2.474.221 toneladas, com alta de 19,6% em relação à informação de abril. A estimativa de área plantada e a ser colhida tiveram crescimento de 12,2% e 12,3%, respectivamente, enquanto o rendimento médio avançou 6,4%. O aumento da estimativa de produção do sorgo em maio deveu-se, principalmente, a Goiás, maior produtor e responsável por 51,9% do total nacional, que confirmou aumento de 37,8% em relação a abril, refletindo uma expansão de 39,5% nas áreas plantada e colhida. Em Mato Grosso (9,3%), Minas Gerais (2,2%), Bahia (4,8%) e Rio Grande do Norte (11,0%) também houve acréscimos na expectativa de produção, em relação a abril.

TRIGO (em grão) – Na avaliação de maio para a cultura do trigo, a expectativa de produção foi acrescida em 1,0%, sendo estimada em 5.512.627 toneladas. Houve, também, acréscimo na estimativa da área plantada, que foi de 2,6% frente a abril. Os destaques positivos foram as estimativas do Paraná (2,2%) e Minas Gerais (17,3%) e o negativo foi Goiás (-30,0%).

Estimativa de maio em relação à produção obtida em 2012

Dentre os 26 produtos selecionados, 16 apresentaram altas nas estimativas de produção em relação ao ano anterior: amendoim em casca 1ª safra (5,9%), arroz em casca (3,9%), aveia em grão (12,2%), batata-inglesa 1ª safra (2,6%), batata-inglesa 2ª safra (1,3%), café em grão – canephora (4,0%), cana-de-açúcar (10,3%), cevada em grão (31,9%), feijão em grão 1ª safra (3,3%), feijão em grão 2ª safra (18,0%), milho em grão 1ª safra (5,0%), milho em grão 2ª safra (14,4%), soja em grão (23,5%), sorgo em grão (21,4%), trigo em grão (25,9%) e triticale em grão (17,0%). Com variação negativa foram dez produtos: algodão herbáceo em caroço (30,6%), amendoim em casca 2ª safra (12,5%), batata-inglesa 3ª safra (14,9%), cacau em amêndoa (6,9%), café em grão – arábica (4,7%), cebola (9,3%), feijão em grão 3ª safra (6,7%), mandioca (2,0%), laranja (14,2%) e mamona em baga (18,1%).

Os incrementos de produção mais significativos, em números absolutos, na comparação com a safra 2012 foram: cana-de-açúcar, soja e milho. Nesta comparação anual as maiores variações negativas em números absolutos se observam para a laranja, algodão e mandioca.

ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço) – Cultura anual que sofreu a maior variação negativa em termos absolutos quando comparados com a produção de 2012. Diferença de 1.518.101 toneladas e redução da área colhida em 414.260 hectares na comparação anual. A regularização dos estoques com as duas últimas safras recordes (2011 e 2012), a crise europeia e a ascensão do preço da soja, concorrendo por área de plantio, foram alguns dos fatores que desencadearam a retração do plantio para a safra de 2013.

CANA-DE-AÇÚCAR – A cultura experimentou expansão com o incentivo aos combustíveis renováveis e à frota de carros flex, tendo desacelerado seu crescimento com a crise de créditos mundiais no final de 2008 e a informação do potencial petrolífero do pré sal. Em 2013, voltou a crescer, com alta de 10,3% na estimativa de produção, ou mais 68.936.088 toneladas em relação a produção obtida em 2012.

CAFÉ TOTAL (em grão) – A safra nacional de 2013, com a colheita já iniciada, foi estimada em 2.984.483 toneladas, ou 49,7 milhões de sacas de 60kg de café em grãos beneficiados. A área total ocupada com café no país (arábica e canephora), de 2.312.983 ha, foi menor 1,0% que em 2012. A área a ser colhida foi estimada em 2.059.390 ha, inferior 1,6%.

As duas espécies somadas apresentaram um decréscimo de produção de 2,5% em relação à safra colhida no ano passado. As diferenças entre as produções de anos de “de baixa e de alta”, resultado da grande participação do arábica no parque cafeeiro nacional, vem, ao longo dos últimos anos, decrescendo.

CAFÉ ARÁBICA (em grão) – Com a colheita já iniciada, o decréscimo previsto na produção nacional de café arábica a ser colhida em 2013, em relação à safra colhida em 2012, de 4,7%, foi consequência, principalmente, da particularidade fisiológica que apresenta esta espécie, que alterna safras de “altas e baixas” produtividades. Estas diferenças, entretanto, vêm diminuindo.

O Brasil deverá produzir 2.196.589 toneladas do grão, o que equivale a 36,6 milhões de sacas de 60 kg. A área destinada à colheita, já iniciada, foi estimada em 1.578.322 ha, 0,6% inferior à área colhida em 2012. A área total ocupada com a cultura em todos os estágios de desenvolvimento totalizou 1.764.361 ha, menor 0,7%.

CAFÉ CANEPHORA (em grão) – A estimativa para 2013, de 787.894 toneladas (13,1 milhões de sacas), foi 4,0% maior que a produção de 2012, em uma área de colheita de 481.068 ha, menor 4,6%. Os preços do conilon, em média de R$240,00/sc de 60 kg, estão favoráveis aos produtores, e contrastam com os preços baixos do café arábica.

LARANJA – A safra nacional de laranja experimenta um decréscimo de 14,2%, variação negativa de 2.712.699 toneladas no confronto com a safra anterior. Grandes estoques nacionais e internacionais, agravados pela crise europeia e bloqueios alfandegários, configuram como principais fatores ao desestímulo da produção citrícola em 2013.

MANDIOCA (raízes) – A variação negativa de 2,0% na produção de raízes em 2013, quando comparada a 2012, representa uma diferença absoluta negativa de 470.453 toneladas. A área plantada foi menor 8,6%, quando comparada à de 2012, bem como a área destinada à colheita que caiu 5,3%. A forte estiagem na Região Nordeste em dois anos consecutivos impediu a recuperação da oferta do produto desta cultura, considerada temporária de longa duração, cujo ciclo costuma ultrapassar a 12 meses. A grande carência de oferta de alimentos nesta Região, inclusive para alimentação animal, promoveram a utilização das ramas da mandioca neste intuito, reduzindo desta maneira a oferta de material propagativo da mandioca, as manivas.

MILHO (em grão) – A safra recorde de milho de 2013 vem impulsionada por bons preços praticados desde a tomada de decisão para o plantio da primeira safra do produto, continuando a impulsionar o segundo período de plantio, aliado às boas condições climáticas ocorridas nas principais regiões produtoras do cereal. A produção nacional é 10,0% maior que a obtida em 2012, registrando, em termos absolutos, um incremento de 7.160.630 toneladas, ocorrendo, também, acréscimo da área a ser colhida em 1.261.650 hectares (8,9%). A primeira safra apresentou acréscimo de 1.666.784 toneladas (5,0%), embora a área plantada tenha sido inferior em 510.706 hectares (-6,7%). Para a segunda safra do produto, a variação absoluta é de 5.493.846 toneladas (14,4%) para uma área plantada maior 1.339.490 hectares (18,1%). Este é o segundo ano consecutivo em que se observa o maior volume de produção do 2ª safra em comparação ao milho 1ª safra.

SOJA (em grão) – A safra da soja em 2013 foi recorde e ultrapassou a produção de 2012 em 15.414.257 toneladas (23,5%). A área plantada é maior 2.646.192 hectares (10,6%), enquanto a área destinada à colheita superou a do ano anterior em 2.720.389 hectares (10,9%) e o rendimento médio passou de 2.635 kg/ha obtidos na safra anterior para os atuais 2.933 kg/ha, acréscimo de 11,3%. Os bons preços praticados e as melhores condições climáticas, notadamente na Região Sul, quando comparadas a 2012, justificaram estes acréscimos.

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i Algodão herbáceo (caroço de algodão), amendoim (em casca), arroz (em casca), feijão (em grão), mamona (em baga), milho (em grão), soja (em grão), aveia (em grão), centeio (em grão), cevada (em grão), girassol (em grão), sorgo (em grão), trigo (em grão) e triticale (em grão).

ii Os levantamentos de Cereais, leguminosas e oleaginosas foram realizados em colaboração com a Companhia Nacional de Abastecimento – Conab, órgão do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, continuando um processo de harmonização das estimativas oficiais de safra, iniciado em outubro de 2007, das principais lavouras brasileiras.

Comunicação Social
06 de junho de 2013

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Estoque de milho cresce 50,8% e de soja tem queda de 56,4%, entre 31/12/2011 e 31/12/2012

Posted in Sem categoria by dibarbosa on 6 de junho de 2013

A rede armazenadora de produtos agrícolas em operação no país apresentou uma queda de 0,6% no número de estabelecimentos ativos, comparativamente ao primeiro semestre de 2012. Em 31 de dezembro de 2012, a rede contava com 9.223 estabelecimentos ativos, dos quais 4.175 (45,3.%) encontravam-se na região Sul, 2.028 (22,0%) na região Sudeste, 1.991 (21,6.%) na Centro-Oeste, 723 (7,8%) na Nordeste e 306 (3,3.%) na região Norte.

A capacidade útil das unidades armazenadoras dos tipos armazéns convencionais, estruturais e infláveissomou 70.425.574 metros cúbicos, sendo que, deste total, um pouco mais de 70,0% estavam concentrados nas regiões Sudeste e Sul.

As unidades armazenadoras dos tipos armazéns graneleiros e granelizados totalizaram 57.913.032 toneladas de capacidade útil, sendo que a região Centro-Oeste deteve 49,9% desta capacidade de armazenamento e a Sul, 32,3%.

Os silos para grãos apresentaram 58.470.826 toneladas de capacidade útil total no país, com a região Sul detendo 56,5% deste total e as regiões Centro-Oeste e Sudeste, 24,6% e 13,6%, respectivamente.

Os resultados de capacidade útil, quando comparados aos da pesquisa do primeiro semestre de 2012, apresentaram queda de 3,9% na capacidade útil dos armazéns convencionais, estruturais e infláveis e acréscimo de 0,9% na capacidade útil dos silos, mantendo-se inalterados em relação aos armazéns graneleiros. O total de capacidade útil instalada no país decresceu 0,8%, passando de 159.876.988 para 158.639.202 toneladas.

Estoque de milho foi o maior em 31/12/2012, com mais de 8 milhões de toneladas

Os maiores estoques registrados em 31 de dezembro de 2012 foram os de milho em grão (8.045.566 t), de trigo em grão (3.851.089 t), de arroz em casca (2.362.063 t), de soja em grão (2.141.626 t) e os de café em grão (1.197.081 t).

Quando comparados com os estoques dos principais produtos existentes em 31 de dezembro de 2011, os estoques de arroz, trigo e soja apresentaram quedas de 23,8%, 27,0% e 56,4%, respectivamente, enquanto os estoques de café e milho apresentaram acréscimos de 17,0% e 50,8%.

A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/agropecuaria/estoque.

 

Comunicação Social
06 de junho de 2013

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Funk carioca “Passinho do Volante” tornou-se um meme por ser inofensivo

Posted in NEWS by dibarbosa on 20 de maio de 2013

  A “música” intitulada “Passinho do Volante”, famosa pelo refrão onomatopaicamente cantado “ah lelek lek lek” de MC Federado e os Leleques, composta em fins do ano  de 2012, tornou-se um meme nacional. Sua postagem na internet, em forma de vídeo clipe, já teve mais de 35 milhões de visualizações até a conclusão desta matéria.

          Até a consagrada montadora de veículos Mercedes-Benz utilizou o funk carioca em uma propaganda numa tentativa de popularizar seu Classe A entre as camadas mais jovens da sociedade brasileira transformado-o num hatch invocado, mesmo tendo um preço médio elevado, algo em torno de R$100.000,00.

          Por conta de tanto sucesso as empresas Furacão 2000 Produções Artísticas e a Lek Produções brigaram judicialmente no mês passado pelos direitos de reprodução do funk alegando serem as responsáveis pela formação do grupo que estourou na internet em fevereiro e até teve a coreografia imitada por Neymar em campo. Na verdade a segunda lançou os rapazes na mídia mas a primeira, prevendo um assombrosso sucesso, contratou-os e venceu na justiça mais tarde.

Por quê Passinho do Volante se  tornou meme?

          Num outro dia recebi um relato de um morador da Cidade de Curitiba indignado com um cara que dirigia pelo centro da cidade tendo uma menina de uns 4 anos de idade sentada no banco da frente do carro. E para piorar o mal-estar de assistir àquela infração de trânsito o sujeito ouvia um funk  “venenoso” em som altíssimo que falava muito palavrão, especialmente sobre as partes íntimas femininas subjugando em demasia as mulheres de um modo geral. Uma verdadeira exaltação pública ao profano, louco e sem significado mundo da desclassificada tendência musical carioca que parace ser imortal, o que deixava os transeuntes com ânsia de vômito e indignação. Sim, Curitiba é uma grande colônia.
          Todos sabem da má fama dos bailes funk do Rio de Janeiro e conhecem as letras horrendas que fazem exaltação ao tráfico de drogas, armas e sexo. Mas parece que apenas poucos sabem que esse tipo de cultura afeta gravemente o desenvolvimento da inteligência e do caráter humano. Não é difícil imaginar, por exemplo, qual será o provável futuro daquela menina sentada no carro ao lado de seu pai inconsequente.
          Mas “O Passinho do Volante” não tem nada disso. Parece que inspira tão somente uma saudável alegria de uma juventude que está sendo libertada aos poucos da violência urbana de suas comunidades. A letra é ingênua demais, e se não fosse pelo alívio de não ter que ouvir outro funk imoral poderia ser considerada como mais um atentado à música nacional devido à péssima qualidade da composição, o que é tremendamente verdadeiro. Perdoemos, no entanto, MC Federado e os Leleques, desta vez, por trazer de volta a tranquilidade refrescante de uma insinuação ritmada desprovida da maldade do tempo dos assombrosos bandidos que um dia dominaram toda a cidade de uma forma imperiosa e impiedosa. Que o refrão “Ah, lelek, lek, lek…” se faça mais e mais reproduzível até cansar o corpo dos adolescentes, a mente dos homens idôneos e a Música Popular Brasileira. Até que um dia a sociedade possa, talvez, estar curada para sempre (o que pode ser uma utopia) da trágica consequencia cultural decorrente da ausência de uma boa política (principalmente habitacional) nos estados que receberam grande leva de emigrantes nordestinos em meados dos anos 50. Mas isso é outra história.
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Cartórios são obrigados a realizar casamentos gay

Posted in BRASIL, DIREITOS HUMANOS, JOAQUIM BARBOSA, TENDÊNCIAS by dibarbosa on 15 de maio de 2013

gay-marriage-comme_2422528bA resolução aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que obriga cartórios a realizar casamentos gays tem validação desde 16/05/2013.

Agora, os cartórios não poderão mais se recusar a celebrar casamentos homoafetivos. Se isso acontecer, o cidadão deverá informar o juiz corregedor do Tribunal de Justiça local. A norma também determina que sejam convertidas em casamento as uniões estáveis homoafetiva registradas previamente. A proposta de resolução foi feita pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, e foi aprovada ontem por 14 votos a um. Barbosa argumentou que a norma é importante para dar efetividade à decisão de 2011 do Supremo Tribunal Federal (STF) que estendeu aos homossexuais o mesmo direito de casais heterossexuais de ter união estável formal. Apesar do placar folgado no CNJ, a decisão do conselho provocou reações diferentes no próprio STF. Enquanto o ministro Marco Aurélio Mello defendeu a decisão, o ministro Gilmar Mendes ponderou que o tema ainda não tinha sido tratado pelo Supremo.Há diferenças entre a união estável aprovada pelo STF e o casamento civil: neste, os companheiros deixam de ser solteiros e adotam o estado “casados”, além de ter direito imediato à herança e a benefícios como pensão alimentícia. Na união estável, muitas vezes esses direitos têm de ser reivindicados na Justiça. O presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Wadih Damous, disse que a resolução do CNJ deve ser comemorada, pois se destina a todos, “ao Estado e aos que querem apenas exercer o direito de constituir uma família independente de sua orientação sexual”, de acordo com nota divulgada nesta quarta-feira pela entidade. Segundo a OAB, no último ano, segundo levantamento da Associação de Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-BR), mais de 1.200 casais do mesmo sexo registraram suas uniões nos principais cartórios de 13 capitais. “O Estado com essa decisão deixa de ser um fator de estigmatização e passa a ser de legitimação”, disse Damous, de acordo com a nota divulgada pela OAB.

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Um dia em Guarituba, Município de Piraquara – PR

Posted in Sem categoria by dibarbosa on 25 de abril de 2013

PIRAQUARA 25/04/2013

Onde fica a Planta Bairro Guarituba?

Com investimento de R$ 93.815.368,36 proveniente do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento para Urbanização de Favelas e Habitação nas micro bacias dos Rios Itaqui, Irai e Piraquara, o Município de Piraquara no Paraná acelera rumo às muitas melhorias possíveis, especialmente no setor de saneamento.

Piraquara/Bairro Guarituba conhecido como Betonex

A Intervenção consiste nas seguintes ações:

1. Regularização Fundiária de 8.087 famílias, no bairro Guarituba, garantindo o direito à propriedade de cada família.
2. Recuperação Ambiental das áreas ocupadas irregularmente, com a retirada das famílias das áreas de risco e criação de quatro parques, o Parque do Acará com 68.329,00 , Parque Mandi com 225.435,34 m², Lambari 53.289,44 m² e Parque Linear com82.000,00 m² totalizando uma área de 429.053,78 m² com infra-estrutura de lazer e preservação ambiental evitando a reocupação das mesmas. Demolição das construções que estão nas áreas de preservação permanente com área aproximada de 35.506,96 m².

Parque Lambari – Projeto de Fábio Faria

Planta Parque Mandi Fabiio Faria

3. Novas Unidades Habitacionais, totalizando 803 unidades com padrão arquitetônico diferenciado.
4. Infraestrutura Urbana, como Rede de Abastecimento de Água e Esgoto, Energia Elétrica, Galerias de Drenagem, Pavimentação, Sinalização e Paisagismo, Transporte Coletivo e Equipamentos Urbanos.
5. Trabalho Social: Levantamento, Cadastro e Orientação para 8.890 famílias que estão envolvidas diretamente na transformação Urbana nas áreas de intervenção do PAC.

2013/April Esgoto/Guarituba/Piraquara

O Bairro Guarituba é o principal movimentador de recursos do PAC no Paraná.

A 18 quilômetros de Curitiba, existe um lugar cujo nome é no mínimo inspirador – Guarituba, ou “região de muitas aves d’água”, no mais castiço guarani. É provável que assim o fosse. Pelo menos até que o destino dessa área monstruosamente grande – 15 quilômetros quadrados, três vezes o bairro da Água Verde – começasse a mudar. Foi em 1951, ano em que o milionário Humberto Scarpa decidiu lotear a então Fazenda Guarituba em 243 chácaras – ou “lotes coloniais”, como se dizia. Parecia uma saída de mestre para se livrar de tanto banhado às beiras do Rio Iraí, no município de Piraquara. Mas até agora, cinco décadas passadas, o investimento não foi um bom negócio para ninguém.

Scarpa teria dividido o pântano do Iraí em propriedades de 75 mil metros quadrados cada. Em repartições posteriores, para outras vendas, os novos proprietários ratearam as terras em até 150 terrenos. A conta parece ir ao infinito. De cerquinha em cerquinha, a velha fazenda se transformou na maior ocupação irregular do Paraná, abrigando cerca de 12 mil famílias, 48 mil pessoas abaixo da linha da pobreza, o equivalente a 10% dos sem-teto de Curitiba e região metropolitana.

Hoje, o Guarituba é sinônimo das péssimas relações urbanas nas grandes conurbações. Transformou-se numa zona favelizada e violenta, que em nada lembra as “aves d’água” do passado. No seu lugar há gansos que dão medo, criados à solta nos banhados. Também não restou muito dos tempos em que os colonos de origem alemã fizeram da região uma bacia leiteira, visitada por curitibanos em busca de bons queijos. Há, sim, vacas e mais vacas andando pelo bairro piraquarense, mas costumam ir para o brejo, para alguma das muitas valetas ainda abertas, ou afundam na turfa – terra mole do banhado que reserva uma surpresa a cada esquina.

Com tantos problemas, a região virou uma espécie de enciclopédia concentrada dos males que atormentam as periferias das grandes cidades. A situação se agravou em meados da década de 80, quando caiu de vez nas garras da informalidade. Além das ocupações irregulares e de favelas dignas de Lagos, na Nigéria, não lhe faltam loteamentos clandestinos e problemas fundiários a dar com o pé. São tantos e tão complexos que podem desafiar a ciência de analistas do setor, como Thanyelle Galmacci, da Cohapar, e Raquel Sizanoski, da prefeitura de Piraquara, duas dos muitos profissionais envolvidos na operação que há alguns meses se ocupa de transformar o Guarituba num bom lugar para se viver.

Homens trabalhando

A operação batizada de Novo Guarituba começou no final do ano passado, com o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O próprio Lula pisou na turfa do bairro para lançar o projeto. Pela primeira vez, a região deixou de ser objeto do protesto solitário dos moradores e gestores de Piraquara, ganhando notoriedade nacional. Mas pode-se afirmar com certa folga que para a maioria dos vizinhos curitibanos o Guarituba ainda é uma abstração.

Vê-se pouco dele quando se passa pela PR-415, rumo a algum dos recantos paradisíacos de Piraquara. Dá para imaginar que se trata de um bairro pobre, mas não de praticamente uma cidade, maior do que 60% dos municípios do Paraná. Para os mais informados, fazer uma parada para visita pode parecer imprudente, tamanha a freqüência de algumas das 15 vilas da região no noticiário policial, a exemplo do Jardim Holandês. Mas há um dado ligado ao Guarituba que bem podia transformá-lo numa bandeira política e social – 70% da água que abastece Curitiba e região passa por ali. E “ali” é uma área em que 48% da população não tem esgoto e 30% não dispõe de água encanada, de acordo com estudo da prefeitura local junto ao IBGE. O resto dá para imaginar.

Os estragos causados no Guarituba desde o infeliz loteamento de Scarpa são tantos que os investimentos do PAC, embora bem-vindos, são notadamente insuficientes para dar conta da situação. Seria preciso três-quatro vezes mais. A receita total é na casa dos R$ 91,7 milhões e será destinada a dar posse de terra aos moradores, a reassentar 803 famílias que moram em área de risco e a reurbanizar o território. “A verba do PAC é pequena. Vamos atender um terço da demanda”, calcula o ex-prefeito de Curitiba,o engenheiro Rafael Greca de Macedo, atual presidente da Cohapar.

Greca – conhecido por seu talento retórico – não está exagerando. O projeto Novo Guarituba é um feito dos mais complexos. Se realizá-lo como planeja, entrará para a História da Habitação no Brasil. De qualquer ponto que se olhe o bairro desafia a lógica. A começar pela turfa – terra escura que afunda tanto quanto as areias da praia. Pisar nesse tipo de solo impressiona mais do que o poeirão e mais do que a extensão territorial do Guarituba – um lugar absolutamente diverso das 258 favelas da vizinha Curitiba.

Operários que trabalham na Avenida Betonex – uma das principais do bairro –, colocam manilhas à tarde. No dia seguinte, pela manhã, elas já se “mexeram”, mandando o trabalho literalmente pelos canos. A situação dos moradores é mais ou menos parecida. O Guarituba se move sob seus pés. Apenas 20% têm escrituras e moram mais ou menos. Entre os 80% restantes, o que se encontra é um mar de gente às voltas com carros que atolam e com banhados na porta das casas. Poucas zonas favelizadas são tão insalubres, a ponto de os gastos com saúde, de acordo com a prefeitura, serem ali pelo menos 5% mais altos do que a média do município.

É o caso da zeladora de escola Silvalina de Lima Alves, 58 anos, e de seu marido, o aposentado José Antônio da Silva, 73. O casal se fixou no Guarituba há 15 anos. Junto, veio Bernardina de Lima, mãe de Silvalina, 88 anos e problemas cardíacos crônicos. “Ela está desenganada”, diz a filha, diante de um cenário insólito. A frente da moradia é um minipântano. “Não seca nunca”, diz a proprietária. Para entrar é preciso se equilibrar numa pinguela. A família clama aos céus por uma solução, já que os poucos planos que fazem sempre afundam no lamaçal. Tempos atrás, José comprou uma mesa de bilhar. Mas o local, situado numa rua que não consta nos projetos de reurbanização, espanta a freguesia. A família vive com R$ 415 mensais, ajuda a criar quatro netos e vive às voltas com problemas de saúde. “Mas o que mais me incomoda, no fundo, é a violência”, resume Silvalina.

De fato. As águas que podem ser encontradas ao cavar míseros 30 centímetros no quintal não são a única tragédia anunciada. Seus índices de criminalidade colocam a pacata Piraquara numa posição desconfortável. Ao mesmo tempo em que é paraíso ecológico, aparece no Mapa da Violência da Rede Latino-Americana de Informação, a Ritla, como o segundo município mais violento do Paraná e o 26º do Brasil.

São quase 60 assassinatos por 100 mil habitantes. As principais vítimas são jovens entre 15 e 24 anos, pelo que tudo indica moradores do Guarituba. Apenas nos primeiros seis meses de 2006 foram 50 jovens mortos no bairro, um número escandaloso. O caos levou a secretária de Ação Social, Cristina Rizzi Galerani, a bolar um plano de emergência, voltado principalmente para as sete escolas municipais e duas estaduais da região. “A gente enfrenta muita resistência, inclusive dos professores. Esses meninos são discriminados”, comenta Rizzi sobre a operação que corre em paralelo aos tratores que abrem as ruas do PAC. O Guarituba quer sair do pântano. Mas precisa entrar no rol dos grandes debates metropolitanos. E rápido, como se espera de um plano de aceleração digno desse nome.

Albari Rosa/Gazeta do Povo

Habitação

Ânimos quentes no Guarituba

Implantação do PAC é difícil. Há muitas obras de infra-estrutura a fazer, incompreensão da sociedade e população à beira de um ataque de nervos

Publicado em 22/06/2008 | José Carlos Fernandes

A dona de casa Joceli Teresinha Siqueira, de 31 anos, sabe pouco sobre o Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC, no Guarituba. Mas já entendeu que seus dias estão contados no casebre em que cria cinco filhos – com o sexto a caminho. Às voltas com a Cohapar, espera informações sobre o que a aguarda no conjunto habitacional que vai abrigar as 803 famílias do bairro que moram em zona de risco. As demais serão regularizadas. “Não posso mais viver aqui. Tem cada rato, ó, desse tamanho”, comenta, tendo como fundo uma paisagem que, contando, ninguém acredita.

Além do chão que afunda, a casa de tábuas de Teresinha e do marido, o pedreiro Jair, de 39 anos, há pouco recebeu água encanada. Mas o banheiro é uma cabana num canto do quintal. As crianças de 13, 11, 7, 5 e 2 anos brincam descalças no pântano e há lixo espalhado por todos os lados. Para chegar até ali, via de regra no Guarituba, tem de se atravessar uma ponte que balança. Às vezes, cai.

Mas é na frente da casa de Joceli Teresinha que está um dos sinais de que a zona mais problemática da região metropolitana pode reescrever sua história. Ali, passa o Canal de Água Limpa, obra do governo do estado iniciada antes do PAC, em 2006. Trata-se de uma estratégia para melhorar a captação da Sanepar na região. No ponto menos poluído do Rio Iraí, um desvio formou o novo canal, que tem cerca de cinco quilômetros e segue, em linha reta, entre a PR-415 e a BR-277. Em sua margem haverá um parque linear e 50 metros de recuo, obrigando a retirada de famílias como a dos Siqueira. Quando concluído, as aves que deram origem ao nome Guarituba poderão voltar para casa.

Pena que esse braço de rio ainda não chegue ao mar, cumprindo seu destino. Em abril deste ano, um morador das antigas conseguiu na Justiça a paralisação das obras, já que não admite a passagem do canal por suas terras. A morosidade da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça em resolver a pendenga mexe com os humores da turma da Cohapar. Não para menos. Esse e outros obstáculos tendem a atrasar a chegada das verbas do governo federal – disponíveis apenas quando a regularização fundiária estiver resolvida. Eis a questão: nem um mestre do xadrez consegue mover as peças com facilidade nesse tabuleiro.

O projeto Novo Guarituba tem problemas demais para pouco tempo disponível, embora nem na prefeitura de Piraquara nem na Cohapar alguém admita que pode não dar tempo. O prazo de realização dado pelo PAC é de dois anos. Ou seja, até 2010, no máximo 2011. Para não ficar à beira do caminho, é preciso aviar o Canal de Água Limpa e mais duas obras de vulto, a micro e a macrodrenagem – sistemas hidráulicos que garantem a secagem dos 15 quilômetros quadrados do bairro. Sem cumprir essas etapas, nada feito.

“A região não é recomendável para moradia. Mas a mentalidade no campo da habitação, hoje, quando há regularização e relocação, é manter a comunidade no local com o qual tem vínculos”, explica a engenheira da Cohapar Suzana Dieckman, diante do desafio que é transformar o Guarituba numa cidade – melhor nome para um logradouro de 48 mil habitantes.

Para chegar lá, os técnicos têm de refazer ruas que começam com oito metros de largura e terminam com três metros. Acompanhar três-quatro famílias que dividem terrenos de 200 metros quadrados. Lidar com uma população cuja renda raramente ultrapassa a média de 2,5 salários mínimos e cujo grau de instrução é baixíssimo. Cerca de 40% dos moradores têm entre cinco e oito anos de estudo. E investiu anos de trabalho suado nessa terra de ninguém, erguendo casas que se desmancham, mas suas casas.

É o bastante para mais problemas. A “temperatura” anda elevada na região. O Guarituba tem tantas necessidades estruturais – como acabar com os rabichos de luz – que ainda não sobrou muito tempo para discutir as novas condições de moradia. O resultado é um disse-me-disse. Assim como nas zonas do PAC em Curitiba, tem quem bata o pé dizendo que não vai sair de onde mora. “Vamos fechar a Avenida Betonex. Semana que vem. Isso aqui é tudo mentira”, esbraveja um morador ao ver o carro da Gazeta do Povo.

As reclamações vão do tamanho das novas casas – 40 metros quadrados, em quatro modelos diferentes – à perda dos investimentos na moradia para quem vai ter de mudar ou ter o terreno reduzido. É um salve-se quem puder. “Amontoado, só no cemitério. Pobre não é obrigado a viver em casa popular. Pobre só sofre mesmo”, protesta a dona de casa Zoraide dos Santos, 50 anos, de bicicleta, quixotescamente, contra tudo e contra todos, diante de um trator imenso. São cenas do PAC.

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Entre 1991 e 2010, população indígena se expandiu de 34,5% para 80,5% dos municípios do país

Posted in Sem categoria by dibarbosa on 17 de janeiro de 2013

Segundo o Censo de 1991, em 34,5% dos municípios brasileiros residia pelo menos um indígena autodeclarado. No Censo de 2000, esse percentual cresceu para 63,5% e, de acordo com o Censo 2010, chegou a 80,5% dos municípios brasileiros.

As 817 mil pessoas que se autodeclararam indígenas no Censo 2010 representam 0,4% da população nacional. Não foram alvo da pesquisa os povos indígenas brasileiros considerados “índios isolados”, os quais, pela própria política de contato, não foram entrevistados.

Segundo o Censo 2010, dos 315 mil indígenas que residem nas áreas urbanas, a maior participação (33,7%) foi encontrada na região Nordeste – superando o Sudeste, que era líder de participação indígena urbana nos Censos de 1991 e 2000 – e entre os 502 mil residentes das áreas rurais, a região Norte manteve a maior concentração (48,6%).

Em 1991 e 2000, a categoria “indígena” era investigada no quesito cor ou raça apenas na Amostra. No Censo 2010, o IBGE, pela primeira vez, investigou o contingente populacional indígena dentro do quesito cor ou raça também no questionário básico, totalizando o Universo de domicílios pesquisados. Além disso, o Censo 2010 introduziu critérios adicionais, como o pertencimento étnico, a língua falada no domicílio e a localização geográfica, que são critérios de identificação usados em Censos de outros países. A divulgação das informações específicas do Censo 2010 para as terras indígenas está prevista para julho de 2012.

Enquanto prepara essa divulgação, o IBGE elaborou um documento especial e uma página em homenagem ao Dia do Índio, com análises e dados comparativos dos Censos de 1991, 2000 e 2010 acerca da distribuição espacial da população que se autodeclarou indígena.
O documento pode ser acessado no link www.ibge.gov.br/indigenas/indigena_censo2010.pdf e a página, no link www.ibge.gov.br/indigenas/index.htm

Em 2010, população autodeclarada indígena no Brasil chegava a 817 mil

Segundo o Censo 2010, 817 mil pessoas se autodeclararam indígenas, o que significou um crescimento no período 2000/2010 de 11,4% (84 mil pessoas), bem menos expressivo do que o do período 1991/2000, de aproximadamente 150% (440 mil pessoas).

Mesmo com evidências de que os povos indígenas estivessem experimentando crescimento acelerado em função de altas taxas de fecundidade, os dados censitários de 2000 superaram as expectativas, com um ritmo de crescimento anual de 10,8% no período 1991/2000. Esse fato reflete o aumento do número de pessoas que, em 1991, se identificaram em outras categorias e que, em 2000, passaram a se identificar como indígenas.

Esse fenômeno é conhecido como “etnogênese” ou “reetinização”: povos indígenas reassumindo e recriando as suas tradições indígenas, após terem sido forçados a esconder e a negar suas identidades tribais como estratégia de sobrevivência, seja por pressões políticas, econômicas e religiosas, ou por terem sido despojados de suas terras e estigmatizados em função dos seus costumes tradicionais.

Os resultados do Censo 2010 revelaram, em relação a 2000, um ritmo de crescimento anual de 1,1% para a população indígena. Na área urbana, o incremento foi negativo, correspondendo a uma redução de 68 mil pessoas, a maioria proveniente da região Sudeste. As pessoas que deixaram de se classificar como indígenas na área urbana podem não ter afinidade com seu povo de origem.

No período 2000/2010, o Acre teve um crescimento da população indígena de 7,1% ao ano, seguido de Paraíba, com 6,6% ao ano, e Roraima, com 5,8% ao ano. O maior declínio populacional relativo foi registrado no Rio de Janeiro: -7,8% ao ano, correspondendo a cerca de 20 mil pessoas.

Nas áreas urbanas, o declínio populacional atingiu a totalidade dos estados das regiões Sudeste e Sul e também a região Centro-Oeste, com exceção de Mato Grosso do Sul. Já na área rural o comportamento foi inverso, o crescimento foi 3,7% ao ano, destacando a elevada taxa de crescimento de 4,7% ao ano da região Nordeste.

As perdas populacionais de indígenas nas áreas urbanas foram significativas em 20 unidades da Federação, principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nesses estados, o Censo 2000 revelou os maiores incrementos populacionais em relação ao Censo de 1991.

Região Norte concentra população indígena na área rural, Nordeste na área urbana

Na análise da distribuição da população indígena autodeclarada entre as grandes regiões do país, a região Norte se manteve na liderança nos Censos de 1991 (42,2%), 2000 (29,1%) e 2010 (37,4%). A região também se destacou na área rural, com 50,5%, 47,6% e 48,6%, respectivamente. Já no segmento urbano, o Sudeste concentrava 35,4% da população indígena em 1991 e 36,7% em 2000, mas o Nordeste passou a ter o maior contingente de indígenas em domicílios urbanos em 2010, com 33,7%.

Em números absolutos, a maior população indígena do país reside no Amazonas (168,7 mil pessoas, ou 20,6% da população indígena do país) e a menor no Rio Grande do Norte (2,5 mil, ou 0,3%). Apenas seis unidades da Federação registraram, em 2010, mais que 1% de população autodeclarada indígena. Por outro lado, 13 unidades da Federação apresentaram percentuais de população indígena abaixo da média nacional (0,4%).

Em 2010, cinco municípios tinham mais de 10 mil indígenas

Os 10 municípios com maior contingente de população indígena, segundo o Censo 2010, concentravam 126,6 mil indígenas, o que corresponde a 15,5% da população indígena nacional. Desses, cinco municípios tinham mais de 10 mil indígenas residentes, sendo quatro no Amazonas: São Gabriel da Cachoeira (29,0 mil), São Paulo de Olivença (15,0 mil), Tabatinga (14,9 mil), Santa Isabel do Rio Negro (10,9 mil). Além deles, entre as capitais, apenas São Paulo passou dessa marca, com 13,0 mil indígenas.

Analisando-se a área urbana, São Paulo tinha a maior população indígena (11,9 mil), seguido por São Gabriel da Cachoeira (11,0 mil). Já na área rural, São Gabriel da Cachoeira ficou em primeiro lugar, com 18,0 mil indígenas.

Em termos de proporção da população indígena na população total dos municípios, o maior percentual foi encontrado no município de Uiramutã (RR), 88,1%. Na área urbana, o município de Marcação (PB) se destacou com 66,2% de população indígena; na área rural, foi São Gabriel da Cachoeira, onde 95,5% dos residentes nessa área são indígenas.

Censos aprimoraram formas de identificação de indígenas ao longo dos anos

O quesito da cor da população vem sendo levantado desde o primeiro recenseamento, feito em 1872. Esse quesito foi incluído, também, nos Censos de 1890, 1940 até 1960 e, de 1980 até 2010. Nos Censos de 1940 e 1950, foi investigada a língua falada para as pessoas que não falavam habitualmente o português no lar, e assim, era possível quantificar os indígenas, que conservavam o uso da língua nativa. Em 1960, a categoria “índio” foi incluída no quesito da cor, mas apenas para os que viviam em aldeamentos ou postos indígenas.

No Censo 1991, o quesito passa a se autodenominar “cor ou raça”, com a introdução da categoria “indígena”, investigada em âmbito nacional, dentro da Amostra, procedimento que foi mantido em 2000. Já em 2010, o quesito passou a ser investigado no Universo. Além disso, no Censo 2010 aprimorou-se a investigação desse contingente populacional, introduzindo o pertencimento étnico, a língua falada no domicílio e a localização geográfica, que são considerados critérios de identificação de população indígenas nos Censos nacionais dos diversos países.

O Censo 2010 permitirá ter um conhecimento da grande diversidade indígena existente no Brasil e um melhor entendimento quanto à composição deste segmento populacional, a saber: os povos indígenas residentes nas terras indígenas; os indígenas urbanizados com pertencimento étnico a povos indígenas específicos e pessoas que se classificaram genericamente como indígenas, mas que não têm identificação com etnias específicas. A divulgação das informações do Censo 2010 referentes à língua falada dos indígenas e resultados para as terras indígenas está prevista para julho de 2012.

 Comunicação Social 18 de abril de 2012micro1.png

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