Urbs Magna

Interior da Terra tem mais água que todos os mares

Posted in CIÊNCIA, GEOGRAFIA, MUNDO by dibarbosa on 12 de março de 2014

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Adaptação do fotograma do filme Viagem ao Centro da Terra

by UrbsMagna 

JÚLIO VERNE estava certo: uma pequena mostra de um mineral contido em um diamante confirma que nas profundezas do manto terrestre existe uma reserva de água equivalente a todos os oceanos.

Araceli Acosta/ Madrid ♦ ABC.ES ♦ 12/03/2014 – 19.31h

Em sua “Viagem ao Centro da Terra (1864)” Julio Verne imaginou um oceano no interior de nosso planeta. Tal água está retida em minerais da crosta terrestre, na zona de transição entre os mantos superior e inferior, a uma profundidade entre 410 e 660 quilômetros. Os minerais são conhecidos como “ringwoodita” uma forma de olivina formada em alta pressão e que até agora apenas era encontrada em meteoritos.

A confirmação da teoria movimentou pesquisadores da Universidade de Alberta (Canadá), que identificaram uma amostra de “ringwoodita” dentro de um diamante encontrado no Brasil. O diamante, que foi encontrado enterrado no leito de um rio, teria sido “empurrado” para a superfície da Terra por uma rocha vulcânica chamada de “kimberlito” a mais profunda de todas as rochas vulcânicas, relatam cientistas na última publicação de NATURE. O principal autor da pesquisa, Graham Pearson, garante que “essa área da Terra, a zona de transição, poderia ter tanta água quanto todos os oceanos do mundo juntos.”

A descoberta da amostra mineral ocorreu no Mato Grosso, Brasil, em 2008, de uma forma quase acidental, segundo Pearson. “O diamante foi comprado de garimpeiros locais no Brasil em 2008, mas a ringwoodita não havia sido descoberta até a pesquisa em 2009″, explicou Pearson à ABC. O diamante, de 3 milímetros de largura e de aparência suja, continha o mineral que é invisível a olho nu e revelou esta incrível descoberta científica, após anos de análise para chegar à confirmação oficial de que é ringwoodita.

Hans Keppler, da Universidade de Bayreuth, na Alemanha, disse que ninguém jamais havia visto a ringwoodita do manto da Terra, apesar de geofísicos afirmarem sua existência. Ele conclui dizendo que as amostras deste mineral oriundos da zona de transição e manto inferior são quase impossíveis de se observar, pois estão a centenas de quilômetros, e perdem suas qualidades originais com o passar dos milênios. Segundo Keppler, mesmo dentro de um diamante a diminuição da pressão ambiente à medida que sobe em direção à superfície da Terra faz com que o ringwoodita se transforme em olivina. Mas aquele diamante do Mato Grosso teve sua estrutura original mantida, o que sugere que seu transporte até a superfície deve ter sido extremamente rápido, possivelmente provocado por uma erupção vulcânica explosiva, alimentada diretamente pelo magma produzido na zona de transição. Até hoje os cientistas se mantinham divididos sobre a questão da composição da zona de transição: se era preenchida com água ou era um deserto.

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