Urbs Magna

“Lei da Mãe Terra” qualifica riquezas naturais da Bolívia como bençãos

Posted in GEOGRAFIA, MUNDO, OPINIÃO by dibarbosa on 31 de julho de 2013

Curitiba, 31 de Julho de 2013  por diBarbosa

 

Bolivia-prepara-la-Ley-de-la-Madre-TierraLEI DA MÃE TERRA

Enquanto ainda estamos surpresos com as notícias de privatização do sol na Espanha, a Bolívia está prestes a anunciar a vigência da “Lei da Mãe Terra”, a qual se movimenta na contra-mão de tudo o que se especulou sobre o astro até agora. A Lei concede à natureza toda uma valorização que os primitivos ancestrais do homem já lhe conferiam, por ignorar e temer seus fenômenos, porém sem mistificá-la, mas qualificando as riquezas naturais, principalmente os depósitos minerais bolivianos, como “bençãos”. Louco isso? Também. Mas a idéia é promover uma grande mudança no comportamento ambientalista reduzindo-se drasticamente a poluição de um país quase destruído devido aos recursos em questão.

Leia-se a matéria da fonte dialogosdosul.org:

Na Conferência do Clima de Cancun, a Bolívia destoou da maioria quando declarou que todo o processo era uma farsa, e que países em desenvolvimento não apenas estavam carregando a cruz da mudança do clima como, com novas medidas, teriam de cortar também mais suas emissões.

A Lei da Mãe Terra vai estabelcer 11 direitos para a natureza, incluindo o direito à vida, o direito da continuação de ciclos e processos vitais livres de alteração humana, o direito a água e ar limpos, o direito ao equilíbrio, e o direito de não ter estruturas celulares modificadas ou alteradas geneticamente. Ela também vai assegurar o direito de o país “não ser afetado por megaestruturas e projetos de desenvolvimento que afetem o equilíbrio de ecossistemas e as comunidades locais”.

Segundo o vice-presidente Alvaro García Linera. “ela estabelece uma nova relação entre homem e natureza. A harmonia que tem de ser preservada como garantia de sua regeneração. A terra é a mãe de todos”.  O presidente Evo Morales é o primeiro indígena americano a ocupar tal cargo, e tem sido um crítico veemente de países industrializados que não estão dispostos a manter o aquecimento da temperatura em um grau. É compreensível, já que o grau de aquecimento, que poderia chegar de 3.5 a  4 graus centígrados, dadas tendências atuais, significaria a desertifição de grande parte da Bolívia.

Esta mudança significa a ressurgência da visão de um mundo indígena andino, que coloca a deusa da Terra e do ambiente, Pachamama, no centro de toda a vida. Esta visão considera iguais os direitos humanos e de todas as outras entidades. A Bolivia sofre há tempos sérios problema ambientais com a mineração de alumínio, prata, ouro e outras matérias primas.

O ministro do exterior David Choquehuanca disse que o respeito tradicional dos índios por Pachamama é vital para impedir a mudança do clima. “Nossos antepassados nos ensinaram que pertencemos a uma grande família de plantas e animais. Nós, povos indígenas, podemos com nossos valores contribuir com a solução das crises energética, climática e alimentar”.  Segundo a filosofia indígena, Pachamama é “sagrada, fértil e a fonte da vida que alimenta e cuida de todos os seres viventes em seu ventre.

Todos nós estamos ainda surpresos com as notícias sobre a estatização do sol na Espanha, que o jornal El País da Costa Rica publicou como privatização. E  estamos, de fato, expostos à tal dúvida, uma vez que o nosso gigantesco astro central sempre esteve presente em toda a nossa vida sem jamais ter nos deixado na mão. E toda essa história nos remete à assuntos esotéricos e quase sagrados. Por exemplo, terraáguafogo e ar estiveram por muito tempo, e ainda estão, elevados a um patamar intocável justamente por se referirem aos 4 elementos naturais que simbolizam tudo o que é essencial à vida. Mas desta terra essencial o homem se apossou, demarcou, especulou e enriqueceu, fazendo quase o mesmo com a água. Tudo bem que são fontes esgotáveis que receberam um toque humano, que foram trabalhadas e distribuídas de uma forma consciente e equilibrada, respeitando-se a política adotada em cada país. Mas não se pode dizer o mesmo do fogo e do ar.

Ainda que tomados pela incredulidade de tudo o que foi anunciado, sabemos que estes dois últimos elementos não são fontes esgotáveis. Pelo menos a curto, médio ou até mesmo a longo prazo – considerando-se que o tempo do Planeta Terra é infinitamente superior e contabilizado em proporções muito maiores que a dos seres humanos pecadores mortais.

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