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GUANTÁNAMO 10 anos depois.

Assim é a prisão de Guantánamo que Obama mantém ilegalmente em Cuba. Continue a leitura »

  • Postado por Juremir Machado da Silva - Correio do Povo - 14 de julho de 2011 Caro Juremir! Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre, onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e talvez pela entrada do inverno, resolveu também ir à aula uma daquelas alunas “turista” que aparece uma que outra vez para “fazer uma social”. Para rever os conhecidos. Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos. Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava bastante atenção de todos, toca o celular da menina, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender e que o Colégio é um local onde se vai para estudar. Então, a “estudante” quis argumentar, quando falei que não discutiria com ela. Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma. A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, a mãe da menina ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretora da Escola. Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil! Isso mesmo, tive que comparecer no dia 13/07/11 na oitava delegacia de polícia de Porto Alegre para prestar esclarecimento por ter constrangido (?) uma adolescente (17 anos), que muito pouco freqüenta a aula e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores. A que ponto que chegamos? Isso é um desabafo. Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil. Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com freqüência temas relacionados à educação, te peço que dediques umas linhas a respeito da violência contra o professor. Parabéns pelo teu trabalho e um grande abraço! Maurício Girardi
  • Sexta-feira, 16:00h, Curitiba, bairro Guabirotuba.
  •           Muita água no Largo da Ordem, em Curitiba. Assim amanheceu um dos principais cartões postais da cidade neste domingo, 29. Os meteorologistas ainda nada sabem dizer sobre o que aconteceu na principal rua do Largo da Ordem, em Curitiba. Apenas disseram que "enxurrada" se escreve com "x" e não com "ch". Da mesma forma que surgiu, a água que encobria toda a área da pavimentação histórica desapareceu misteriosamente.           "Hoje, por volta das 06:38h, o largo mais parecia Veneza, na Itália. Um enorme rio descia em direção à rua Barão do Cerro Azul e desaparecia, inacreditavelmente, sem fluir para nenhuma galeria fluvial, tampouco evaporava-se." afirmou um trabalhador de uma lanchonete no centro. Ele, que passava próximo ao local, falou sobre o que pode ter sido um fenômeno nada meteorológico: "Eu vinha subindo pela Barão do Cerro Azul, como faço todas as manhãs antes do trabalho, e quando dobrei à direita em direção ao Largo da Ordem deparei-me com toda aquela água e caí, quase afundando e me afogando" disse o atendente de lanchonete Richie Sá Bernardo. "Só consegui sair quando percebí que aquela água era muito estranha, pois ela fazia um degrau no encontro das duas ruas, como uma pequena parede. Eu tropecei na água e comecei a tentar nadar, mas quando vi o que era, apenas me levantei."           Outras pessoas se assustaram muito com o fenômeno, mas ninguém ficou ferido. Tudo aconteceu em questão de minutos, como comenta um vigia de um dos prédios históricos do local: "Eu tava olhando pro céu, que até estava bom, nem parecia Curitiba, e quando olhei pra baixo vi toda aquela água. O estranho é que era só naquele trecho da rua. Olhei em direção ao cavalo e percebi que ele era o motivo, que ele tava vomitando muita água e acho que foi ele mesmo." disse o segurança Willian Temístocles Ribas, concluindo um defeito em alguma bomba d'água do sistema.           Técnicos do abastecimento foram chamados, mas quando chegaram, por volta das 07:20h, nada encontraram além da tradicional Feirinha do Largo da Ordem em sua habitual rotina. Alguns feirantes foram entrevistados, mas ninguém viu nem ouviu falar de nada, achando até que alguém estava louco em toda esta história. "Estou aqui desde muito cedo, ainda estava escuro, e não aconteceu absolutamente nada por aqui" comentou a barraqueira Elvira Paes Boyand.           A foto circulou a net rapidamente, mas nem se tem notícia de seu autor.
  • O olhar de LUIS FERNANDO VERISSIMO sobre o BBB     "Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo e valores morais, com tamanho atentado à nossa modesta inteligência. Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... Todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas "Sou contra a safadeza ao vivo na TV", seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE. Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas. Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade do brasileiro.Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns). Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó! Veja o que está por de trás do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão (R$8.700.000,00). Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.Esta crônica está sendo divulgada pela internet a milhões de e-mails. "Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de ser feito."Luis Fernando Veríssimo É cronista e escritor brasileiro.

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